Recuperação de cachorro vítima de maus tratos comove escoceses

Snoop ao ser encontrado dentro do apartamento onde ficava (www.thescottishsun.co.uk)
Snoop ao ser encontrado dentro do apartamento onde ficava (www.thescottishsun.co.uk)

A crueldade com que um cachorro era tratado por seu dono revoltou os moradores da cidade de Pasley, na Escócia. Snoop, uma mistura de collie com labrador de seis anos, foi encontrado desnutrido em meio às fezes e restos de comida no apartamento de seu dono.

A polícia foi ao local após receber uma denúncia contra Edward McNeill, de 22 anos. A situação em que estava o cachorro impressionou os policiais. Snoop pesava apenas oito quilos, metade do que deveria pesar um animal com o mesmo porte.

“É terrível, eu sei”, disse Edward ao ser questionado pela polícia sobre a situação do cachorro. Ele também alegou que tinha dificuldades para cuidar de si mesmo e explicou que por isso não conseguia tomar conta do bicho de estimação.

De acordo com o jornal The Sun, Snoop foi apreendido em março e desde então recebeu tratamento para se recuperar até que estivesse em condições de ser adotado.

O xerife responsável pelo caso pediu registros médicos sobre a condição de Edward para o julgamento da acusação de maus tratos. A decisão deve sair em setembro. Desde então milhares de pessoas se manifestaram pela internet contra Edward, pedindo uma punição severa pela forma com que Snoop foi tratado e nem mesmo a foto que mostra o cachorro recuperado conseguiu acalmar a população. 

 

Recuperado e saudável, Snopp foi adotado e hoje vive com uma nova família (www.thescottishsun.co.uk)
Recuperado e saudável, Snopp foi adotado e hoje vive com uma nova família (www.thescottishsun.co.uk)

Fonte:

http://www.diariodepernambuco.com.br/app/noticia/mundo/2012/08/30/interna_mundo,393852/recuperacao-de-cachorro-vitima-de-maus-tratos-comove-escoceses.shtml

FBI – 80% DOS SERIAL KILLERS COMEÇAM MATANDO ANIMAIS

“No sábado da semana passada, cometi meu primeiro assassinato. A vítima foi minha querida cachorra Sparkle. Nunca vou esquecer o uivo que ela deu. Pareceu algo quase humano. Então nós rimos e batemos mais nela”.

Esta frase foi extraída do diário de Luke Woodham, 16 anos, acusado pela morte da mãe e por ter matado a tiros dois colegas no Mississippi.

O “serial killer” Jeffrey Dahmer que matou e depois comeu 17 mulheres, costumava empalar( enfiar uma estaca pelo ânus até a morte) sapos quando criança.

Em 1983 um estudo do FBI indicou que em 88% das familias com relatos de abuso sexual infantil, pelo menos uma pessoa tinha abusado animais

O New Jersey estudo também constatou que, em 2 / 3 destes casos, o pai abusivo tinha ferido ou matado um animal de estimação e em  1 / 3 dos casos, as crianças também eram agressores de animais.

Esses exemplos ilustram uma macabra conexão entre a crueldade oferecida aos animais e a violência contra as pessoas e autorizam especialistas como Allen Brantley do FBI, a afirmar que maltratar um animal nunca é apenas um fato lamentável, mas sim um sério alerta de perigo.

SEGUNDO O FBI, 80 % DOS ASSASSINOS COMEÇAM MATANDO ANIMAIS

Pessoas com má índole, sempre preferem primeiramente, aqueles que não falam e não podem se defender, até que seu instinto perverso vai aos poucos se solidificando, ao ponto de, num dia qualquer, começar a colocar em prática com os de sua espécie tudo o que já foi praticado anteriormente com os indefesos animais.

“Ter a capacidade de rastrear casos de crueldade contra animais, em qualquer parte do país é um passo que já é tomado há muito tempo que não só para ajudar aos animais, mas também para dar aos  responsáveis pela aplicação da lei as ferramentas de que necessitam para impedir criminosos violentos  continuem na escalada do seu  terrível comportamento”, disse Michael Markarian , Vice-presidente executivo da The Humane Society dos Estados Unidos, e o presidente da Humane Society Legislativa Fundo. “Estamos gratos ao Senador Menendez,  por introduzir esta importante lei anti-crime, para o bem dos animais, bem como para a segurança pública e em nossas comunidades”


No Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM), a Associação Psiquiátrica Americana lista Crueldade Animal como um dos comportamentos sinalizando conduta de desordem. Clinical evidence indicates that animal cruelty is one of the symptoms usually seen at the earliest stages of conduct disorder, often by the age of eight. Evidências clínicas indicam que a crueldade animal é um dos sintomas geralmente vistos nas fases iniciais de conduta desordem, muitas vezes pela idade de oito anos . This information has only recently been included in the DSM, so some psychologists, psychiatrists, and social workers are just now becoming aware of it. Esta informação foi apenas recentemente incluída no DSM, de modo que alguns psicólogos, psiquiatras e assistentes sociais estão apenas agora a tomar conhecimento da mesma.

Crimes contra os animais não são eventos isolados. FBI experts advise all appropriate agencies to share case information with one another.

Peritos do FBI aconselham todas as agências dos EUA para compartilhar informações de casos cometidos de crueldades contra animais. A comprehensive approach with cooperation from the family, support from the school, and counseling by a psychologist or social worker is essential. Uma abordagem abrangente com a colaboração da família, o apoio da escola, e aconselhamento por um psicólogo ou assistente social é essencial.

Alguns exemplos altamente divulgados da “conexão” são:

  • May 21, 1998, Springfield, OR: Kip Kinkel, 15, allegedly walked into his high school cafeteria and opened fire on his classmates. 21 de maio de 1998, Springfield, OR: Kip Kinkel, 15, supostamente caminhou em sua escola secundária em direção a uma  cafeteria e abriu fogo sobre seus colegas. Friends and family indicated that Kinkel has a history of animal abuse and torture. Amigos e familiares indicaram que Kinkel tem uma história de abuso e tortura animal. Friends said that he often bragged about torturing and killing animals. Amigos disseram que ele muitas vezes falava  sobre tortura e morte dos animais.
  • 9 de abril de 1998, West Dallas, TX: Sete e 8 anos de idade, irmãos e um amigo de 11 anos foram presos por seqüestro, espancamento e agredir sexualmente a garota de 3 anos . A local television station reported that the brothers had been involved in animal cruelty. A estação de televisão locais informaram que os irmãos tinham sido envolvidos na crueldade animal.
  • March 24, 1998, Jonesboro, AR: Mitchell Johnson – 13, and Andrew Golden – 11, allegedly shot and killed four students and one teacher ambushed during a fire drill. 24 de março de 1998, Jonesboro, AR: Mitchell Johnson – 13, e Andrew Golden – 11, alegadamente tiros e mataram quatro alunos e um professor emboscados durante um incêndio. A school friend of Golden stated that Andrew “said he shoots dogs all the time with a .22.” Um amigo de  Golden Andrew da escola afirmou que “ele dizia o tempo todo que matava cães com uma 22”.
  • October 1, 1997, Pearl, MS: Luke Woodham – 16, allegedly stabbed his mother to death. 1 de outubro de 1997, Pearl, MS: Luke Woodham – 16, assumiu a morte de sua mãe. Woodham then allegedly went to his high school where he shot and killed two classmates and injured seven others. Woodham então supostamente foi para a sua escola secundária ondedisparou  tiros e matou dois colegas e feriu outras sete. Woodham stated in his personal journal that he and an accomplice beat, burned, and tortured his dog, Sparkle, to death. Woodham afirmou no seu diário pessoal que ele e um cúmplice haviam  torturado  e queimados seu cachorro, Sparkle, à morte. He wrote, “On Saturday of last week, I made my first kill.” Ele escreveu: “No sábado da semana passada, cometi meu primeiro assassinato”. After brutally beating Sparkle, they set her on fire. Após brutal espancamento  de Sparkle, colocou fogo em seu corpo. The diary continues, “We sprayed fluid down her throat. Her neck caught on fire inside and out. It was true beauty.” A agenda continua, “Nós pulverizamos  fluido para baixo sua garganta. Seu pescoço tomado no fogo por dentro e por fora. Foi uma verdadeira beleza”.
  • December 1, 1997, West Paducah, KY: Michael Carneal – 14, allegedly shot and killed three classmates at school. 1 de dezembro de 1997, West Paducah, KY: Michael Carneal – 14, atirou  e matou três colegas de escola. According to another student, Carneal talked about throwing a cat into a bonfire. De acordo com outro aluno, Carneal falou que atirara um gato em uma fogueira.
  • November 1996, Tavares, FL: Rod Ferrell – 17, “vampire cult leader” and cult members Heather Wendorf, 16, Howard Anderson, 17, Dana Cooper, 20, and Charity Keesee, 17, were arrested in connection with the bludgeoning deaths of Wendorf’s parents. Novembro de 1996, Tavares, FL: Rod Ferrell – 17, “líder do culto dos vampiros ” e membros Heather Wendorf, 16, Howard Anderson, 17, Dana Cooper, 20, e Caridade Keesee  17, foram detidos em conexão com as mortes de várias pessoas no pais. Media accounts include animal torture and mutilation as part of their rituals. Incluíam também tortura e mutilação de animais como parte de seus rituais.

No Brasil, o caso mais conhecido é do motoboy Francisco de Assis Pereira, o Maníaco do Parque.

Na época dos crimes, a imprensa noticiou superficialmente que o motoboy apresentava antecedentes de prática de crueldade contra animais. Sobrinho de um açougueiro que mantinha um matadouro clandestino, desde pequeno Francisco gostava de assistir ao abate do gado. Ainda garoto, ele caçava rolinhas, mutilava-as e as fritava, ainda vivas. Também maltratava  e matava cães e gatos da vizinhança, com tiros de chumbinho e pedradas.

O JORNAL ZERO HORA DO DIA 01/06/2004 DO RS

Um menino de 11 anos matou Maicon Rodrigues dos Santos ( 6 anos ), ele confessou que matou Maicon da mesma maneira que costumava matar Gatos… degolando-os.

Leia abaixo o estudo realizado pela Secretaria de Saúde de São Paulo sobre este assunto…

Escrito por Lilian Rockenbach às 11h02
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FBI- SERIAL KILLERS X VIOLÊNCIA C/ ANIMAIS

BEPA

Boletim EpidemiológicoPaulista

http://www.cve.saude.sp.gov.br/agencia/bepa16_violencia.htm

Violência Contra Animais e a Violência Doméstica: Qual a ligação?

Rita de Cassia Garcia
Assessoria Técnica
Coordenadoria de Controle de Doenças – SES/SP

Qual a relação entre maus-tratos e crueldades para com os animais e a violência doméstica? Existe um elo entre eles? Não é de hoje que pesquisas comprovam a ligação entre a violência doméstica e a violência contra os animais de estimação, esta ultima servindo como sinal de alerta para a possível existência da violência contra seres humanos mais fragilizados no contexto familiar, como no caso de crianças, idosos e até mesmo mulheres. Mas também a crueldade contra os animais está presente como uma característica comum nos registros de estupradores e assassinos em série. O abuso contra animais aparece de forma clara nas histórias de pessoas com comportamento violento

(FBI,1998;AlanBrantley,1996).

A violência doméstica, muitas vezes, começa com o abuso ou maus-tratos de animais.  Dessa forma, cientistas sociais e órgãos de execução penal norte-americanos passaram a encarar a crueldade contra animais como um grave problema humano, diretamente relacionado à violência doméstica, abusos contra crianças, idosos e outros crimes violentos, se tornando um meio eficaz de romper o ciclo da violência doméstica de uma geração para a outra (Associação Internacional dos Chefes de Polícia, 2000).

Na Filadélfia (Estados Unidos) uma criança de 4 anos foi espancada até a morte em janeiro de 1999. Mas as autoridades de controle de cães e gatos já haviam estado no local, meses antes, devido a denuncias de crueldade com o cão da família, feitas por vizinhos.  Esse caso, entre centenas de outros, é um exemplo de como os serviços de controle de zoonoses e de controle de populações de cães e gatos, em parceria com os profissionais médicos veterinários, podem auxiliar os órgãos competentes a diagnosticar a violência doméstica (Phil Arkow, 2004).

Em pesquisa realizada por DeViney, Dickert & Lockwood, 1983, abusos contra animais aconteceram em 88% das famílias em que ocorreram casos de abusos físicos contra crianças. Segundo Groves, 2004, entre 45% a 60% dos lares com violência doméstica apresentam maior risco de abuso contra crianças.

Tanto as crianças como os animais são vítimas silenciosas da violência doméstica, muitas vezes vítimas invisíveis. Como o abuso contra o animal é um indicador de um lar caótico, no qual a segurança das crianças está em risco, tal abuso deve ser percebido e documentado, da mesma forma que um problema de bem-estar humano, e ser redefinido, também, como violência doméstica. Por sua vez, a comunidade deve ser treinada para reconhecer e denunciar todas as formas desta violência.

Por fim, a crueldade contra os animais não deve ser ignorada, mas encarada como a manifestação da agressividade latente, pois pode mostrar sinais de um comportamento futuro violento contra humanos. “Quando animais sofrem abusos, as pessoas estão em perigo. Quando as pessoas sofrem abusos, os animais estão em perigo”, Associação Internacional dos Chefes de Polícia, 2000.

*Texto escrito a partir de informações passadas durante a apresentação de Phil Arkow, no Simpósio de Policiais, em 2004, em São Paulo.

Bibliografia

  1. Alan Brantley, Agente Especial do FBI, Unidade de Ciências do Comportamento, 1996
  2. Arnold Arluke & Carter Luke, Northeastern University & Massachusetts SPCA, 1997
  3. “Animals Relations in Childhood  and Later Violent Behaviour Against Humans”
    K-G Schiff & D.A. Louw, Dept. of Psychology,  University of the Orange Free State & Frank R. Ascione, Psychology Dept., Utah State University
  4. Betsy McAlister Groves, Child Witness to Violence Project, Boston MA, 2004

Coordenadoria de Controle de Doenças

A Ética da Alimentação Vegetariana

Os Animais Que Matamos São Nossos Irmãos Menores

Carlos Cardoso Aveline




Será justo da nossa parte dar morte violenta a animais pacíficos e depois comer seus cadáveres? Pode haver, nesse costume, uma forma de crueldade socialmente aceita e estabelecida? É possível que esta violência com seres mais fracos, a quem chamamos de ‘inferiores’ , dificulte o desenvolvimento da humanidade, causando, inconscientemente, violência entre os próprios seres humanos ?

Estas não são perguntas fáceis de responder, e não devem ser colocadas no plano meramente emocional. Nenhum radicalismo primário contribuirá para a compreensão do tema. O sacrifício dos animais, porém, é uma das características de uma civilização humana em crise permanente ― ao lado das guerras e  de outras formas de violência.

Durante o processo de regeneração e recuperação do nosso esquema civilizatório, será natural e sadio discutir o uso da carne em função de diferentes prioridades, como o respeito às diferentes formas de vida, a garantia de uma boa alimentação, o auto-aperfeiç oamento e harmonização interior do homem, além dos processos econômicos e energéticos envolvidos. Para a economia convencional, por exemplo, a morte violenta de milhões de animais é apenas ‘produção de carne’.  Mas talvez seja inevitável, no futuro, encarar o problema do ponto de vista ético. Temos, afinal, o direito de matar?

Vejamos, para começar, a opinião de Mohandas Gandhi: ‘Deveríamos ser capazes de recusar-nos a viver se o preço da vida é a tortura de seres sensíveis’, disse o líder da libertação da Índia. E sua opinião não era isolada.

Um dos maiores gênios da humanidade, Leonardo da Vinci, afirmou: ‘Tempo virá em que os homens verão o assassinato de animais como eles vêem hoje o assassinato de homens’. [1]

Se o pensamento consiste da associação de sequencial de diferentes  imagens mentais, alguns animais chegam próximo a ele. Há exemplos conhecidos. Mas é seu plano emocional que está amplamente desenvolvido, permitindo grande afinidade com o ser humano. Isto não é verdade apenas para os animais que são normalmente preferidos pelo homem. Em certas regiões dos Estados Unidos, por exemplo, já é comum criar um porco com o mesmo carinho e intimidade que se dá aos cães e gatos. Percebi este fato anos atrás, quando descansava deitado no gramado da Universidade de Berkeley, Califórnia. Estava lendo alguma coisa sobre ecologia aquática quando  fui surpreendido por uma voz feminina, docemente autoritária, como se fizesse uma crítica a alguém muito amado:

‘Daisy! Daisy! Daisy! Vem cá !’

Levantei os olhos: uma jovem caminhava apressada, com uma cordinha na mão. Atrás dela, atrasada, mas recuperando o tempo perdido, corria uma grande porca de mais de cem quilos, limpa, de cor rosada, livre e feliz ao chamado da dona.

Era Daisy, evidentemente. E se notava uma profunda confiança mútua entre ela e sua proprietária, enquanto as duas atravessavam, num passo apertado, o belo campus de Berkeley.

“Daisy não sabe, mas tem muita sorte”. Mesmo com uma inteligência e sensibilidade comparáveis às do gato, cachorro ou cavalo, em geral, os porcos levam uma vida difícil. A maior parte deles é criada em total confinamento, em meio ao lixo, sem higiene. Quase não podem mover-se, são engordados artificialmente, e sofrem de desnutrição. Criados de modo antinatural, eles recebem antibióticos e hormônios até o dia do sacrifício. Mas sua morte violenta prejudica também o homem, do modo mais imediato: sua carne é talvez a menos saudável e a que mais ameaça a saúde do consumidor.

Daisy e a carne de porco são apenas um exemplo, porque a situação é basicamente a mesma com a carne de boi, de aves e de peixes. As galinhas “poedeiras” ficam em gaiolas onde não podem mover o corpo em nenhuma direção,  sob fortes lâmpadas elétricas ligadas noite e dia. Nunca dormem, nunca relaxam, e a ansiedade lhes dá uma fome descontrolada. Comem uma ração química que multiplica os ovos, mas os torna prejudiciais à saúde humana, com seus hormônios e antibióticos. Os frangos criados para serem mortos têm sorte semelhante.

O peixe, por sua vez, é um animal mais primitivo que os mamíferos,  e seu sofrimento, aparentemente, poderia ser menor. Mas ―  como poderíamos medir a dor alheia?  Além disso, o peixe é o animal que sofre a agonia mais lenta.  Pode demorar até várias horas para morrer depois de retirado da água.  Há rios em que os pescadores costumam deixar peixes  amontoados em um ‘viveiro’, ou uma cesta de vime submersa,  onde sua agonia é prolongada  para que a carne não se deteriore antes da chegada a um frigorífico ou freezer.

Nos últimos anos, por vários motivos, o consumo de carne vem sendo cada vez mais discutido no mundo todo. Mas o debate é antigo.

‘A própria fisiologia humana não condiz com a alimentação carnívora’, garantia, já em 1903, o Dr. G.S.Huntington,  da Universidade de Colúmbia, nos Estados Unidos. E comprovava, pela análise dos dentes humanos, que sempre fomos animais herbívoros, com dentes caninos pequenos e predominância dos molares. Ao mesmo tempo, nossos intestinos são cheios de divisões, de modo semelhante ao do boi e outros herbívoros, mas bem ao contrário dos carnívoros tradicionais.

Ao longo dos últimos cem anos tem sido cada vez maior o número de médicos e cientistas que questionam o uso da carne na dieta humana, responsabilizando- a por vidas mais curtas, doenças do coração, câncer no intestino e outras partes do organismo. Hoje já caiu o dogma, antes intocável, da necessiddade de proteínas animais a partir da carne. O consumo de leite, queijo, manteiga e ovos parece firmemente estabelecido.  A carne deixa de ser um item considerado  indispensável para assumir, gradualmente, o papel de vilão do cardápio. [2]

Por que razão se diz que a carne tem efeitos daninhos ? Entre os muitos fatores, há alguns agravantes recentes. Antes o homem convivia com os animais de modo mais sadio. Dava-lhes relativa liberdade.
Com o desenvolvimento tecnológico, os animais não podem ter mais nada parecido com uma vida normal: são mantidos em jaulas, sem liberdade de movimentos. Ficam doentios, e para prevenir doenças, recebem antibióticos em sua ração, assim como hormônios e anabolizantes cancerígenos, que provocam crescimento e engorda artificiais. [3]

Mas não é só por isso que a carne se transforma cada vez mais em fonte de doenças. Grande parte dos abates de gado bovino ocorre sem  fiscalização sanitária adequada.  Não é impossível encontrar-se patas e rabos de rato em lingüiças, ficar-se sabendo que o churrasquinho vendido na rua foi feito com carne de gato, ou ainda que o ‘filé’ comprado no açougue era carne de cavalo.

Quando a carne fica velha, escurece. Então alguns comerciantes colocam um corante vermelho que dá ao guisado e outros tipos de carne a aparência de estar úmido, com sangue recente. Mas o corante será mais um elemento cancerígeno na mesa do consumidor.

À medida que estes e outros fatos ficam cada dia mais conhecidos, até mesmo a ciência convencional desmistifica o uso da carne.  Já em dezembro de 1990, o “New England Journal of Medicine” revelava o resultado de uma pesquisa de seis anos com 88.750 mulheres norte-americanas. [4]  A conclusão era que o consumo de carne bovina ou suína aumenta radicalmente o risco de câncer no intestino, e mesmo o consumo ocasional de carne vermelha eleva as chances de  contrair a doença. Tal advertência vem sendo feita insistentemente por cientistas de vários países e, como consequência, uma parcela crescente da  população altera seus hábitos.

Do ponto de vista econômico, já se questiona o fato de que o Brasil exporta grandes quantidades de soja barata para alimentar o gado europeu, sustentando o carnivorismo do mundo rico, enquanto centenas de milhares de crianças brasileiras, talvez milhões,  têm alimentação inadequada.

Energeticamente, a criação de gado bovino é um desperdício. Para alimentar o gado de corte, são necessárias enormes extensões de terra que poderiam alimentar seres humanos com uma dieta mais leve e mais saudável. E as advertências sobre o perigo da explosão demográfica perderiam  sentido, se os rebanhos parassem de multiplicar- se por inseminação artificial, dando mais espaço geográfico para o ser humano.

Tanto o enfoque dietético, como o econômico, o energético e o demográfico nos levam a questionar o consumo da carne do ponto de vista antropocêntrico, isto é, pensando apenas no que é melhor para o homem, como se não tivéssemos dever nenhum para com animais menos evoluídos do que nós. As outras formas de vida, porém, têm um valor intrínseco, independentemente da sua utitilidade ou não para o nosso bem-estar particular. Esta é a questão ética. Mark Twain escreveu:

‘Se você cuida de um cachorro doente até que recupere a saúde, ele não vai mordê-lo mais tarde. Esta é a principal diferença entre os homens e  os animais’.

E Samuel Butler acrescenta:

‘O homem é o único animal que pode comportar-se amigavelmente com as vítimas que ele pretende devorar, até o momento em que as devora’.

Há nos olhos dos animais uma imagem pálida e um vislumbre de humanidade, ‘um raio de luz através do qual a vida deles olha para fora e para cima, em direção ao grande poder do nosso domínio sobre eles, e pede por amizade’, escreveu John Ruskin, um dos inspiradores de Gandhi.

A morte dos animais, mesmo os mais sensíveis e inteligentes, é considerada normal em nossa sociedade. Mas, ‘se os animais pudessem falar, teríamos coragem de matá-los e comê-los ?’, perguntou um dia o escritor francês Voltaire. ‘Como poderíamos justificar tal fraticídio ?’

Herbert Spencer escreveu que ‘o comportamento do homem para com os animais é inseparável do comportamento dos homens entre si’. A filosofia esotérica afirma que a dor que causamos aos animais retarda a evolução humana.   Há quem diga que ‘o  círculo vicioso do longo e contínuo massacre de animais só pode culminar em guerras’.  O escritor inglês George Bernard Shaw foi além: ‘Enquanto o homem assassinar animais e comer sua carne, vamos continuar tendo guerras’, escreveu ele. E o indiano T.L.Vaswani advertia que ‘nenhum país está verdadeiramente livre enquanto o animal, o irmão mais moço do homem, não estiver livre e feliz’. [5]

Alguns carnívoros consideram que questionar eticamente a morte de animais é um exagero. ‘Afinal, a maior parte deles já teve seu nascimento provocado, especialmente, para serem sacrificados mais tarde’, alegam. Outras pessoas, porém, discordam. ‘Você tem a opção de dar ou não vida a outros seres’,  explicam. ‘Nada disso o autoriza a matar, nem a maltratar ninguém’.

De acordo com esse ponto de vista, atrás do ritual inocente de comer uma chuleta ou bife mal-passado, existe um verdadeiro holocausto, uma morte violenta em massa, permanente, rotativa, de milhões de bois e vacas indefesos. A maior parte do rebanho bovino brasileiro, que tem mais de cem milhões de cabeças, passa pelo matadouro a cada período de poucos anos.

E como se dá esse processo rotineiro ?

Os animais viajam centenas de quilômetros de pé, sem água ou comida, apertados na carreta de um  caminhão. Ao chegar,  ficam de dois a quatro dias no pátio do abatedouro ―  recebendo apenas água. Na hora do sacrifício, os animais são forçados a entrar em um longo corredor estreito. São tomados pelo desespero, e tentam fugir de todas as formas. No final do corredor, uma das maneiras mais usadas de matar começa com um golpe de marreta na cabeça. O animal fica tonto, perde as forças e cai com os olhos abertos, mas é suspenso por um guindaste atado às patas traseiras. Às vezes já está se recuperando do golpe e debatendo-se pela liberdade quando é definitivamente degolado. Seus olhos se esvaziam; o olhar ainda está lá, mas a vida atrás dele retira-se.

As facas não param, o boi deixa de existir e em poucos minutos é completamente despedaçado. O couro viaja para o curtume. O sangue vira ração de animais e as fezes, de adubo. Mas haverá muito sangue e fezes poluindo o curso d’água próximo.

A experiência de testemunhar a morte violenta de animais obedientes, humildes, é muito forte. Muitas pessoas jamais provam carne após uma visita a um matadouro. Enquanto assistem à morte dos animais, que caem um após outro , alguns precisam reprimir um impuso não racional que lhes manda gritar ao homem da morte, interpondo-se entre ele e o animal:

‘Pare! Pare de matar! Deixe este animal vivo!’

Se Bernard Shaw tinha razão, o surgimento de novas teorias alimentares, que nos levam a abandonar o hábito de matar animais para comer carne, é uma das grandes bênçãos que hoje se derramam sobre o difícil caminho da humanidade. Pode ser um dos fatores fundamentais para eliminar a violência de dentro e de fora do indivíduo humano. Estará sendo aplicado, então, um ensinamento de um sábio que foi conhecido no mundo grego antigo como Pitágoras:

‘A Terra, generosa, oferece a você uma grande variedade de alimentos puros e de refeições que podem ser alcançados sem massacre nem derramamento de sangue’, disse o filósofo e matemático há 2.600 anos atrás.

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NOTAS

[1] ‘Birthday Autograph Book’, Animal Welfare Board, Madras, Índia.

[2] ‘Vida e Saúde’, revista, número especial sobre o vegetarianismo, p. 19 e seguintes. ‘Tribuna Alemã’, outubro de 1983, nº 343, pp. 14.

[3] ‘SOS Animal’, publicação da Liga de Prevenção à Crueldade Contra o Animal, Belo Horizonte, MG, ano VII, nº 32, junho de 1990.

[4] ‘Gazeta Mercantil’, 14 de dezembro de 1990.

[5]  ‘Birthday Autograph Book’, obra citada.  Este volume é a fonte dos pensamentos de vários pensadores citados nos parágrafos anteriores.

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O texto acima corresponde ao capítulo  três do livro “Apontando Para o Futuro — responsabilidade ética e preservação ambiental no século 21”,  de Aveline.  A obra foi publicada em Porto Alegre em 1996, com 106 pp., pelas editoras FEEU e PrajnaParamita, e está esgotada.
Veja o livro “A Vida Secreta da Natureza”, de  Carlos Cardoso Aveline, Terceira Edição, Ed. Bodigaya, 2007, 158 pp. Visite www.bodigaya. com.br

Todos os animais merecem o Céu

Escrito por Érika Silveira

Entrevista exclusiva com Dr. Marcel Benedeti, sobre o destino espiritual dos animais
Este foi o título escolhido pelo autor e veterinário Marcel Benedeti para o livro que relata a reencarnação dos animais, a eutanásia, o sofrimento como forma de evolução desses seres, a existência de colônias que cuidam dos animais no plano espiritual e outras questões importantes.
A obra foi uma das premiadas no Concurso Literário Espírita João Castardelli 2003-2004, promovido pela Fundação Espírita André Luiz. Esse foi o primeiro livro do autor que se especializou em homeopatia para animais e conheceu a doutrina espírita na época em que cursava a faculdade, apesar de sua mediunidade ter se manifestado muito antes desse período. Marcel relata que quando trabalhava em uma livraria e se preparava para prestar vestibular, em um dia de pouco movimento, foi para a parte de baixo da loja estudar e notou que estava sendo observado por um senhor. Resolveu perguntar se o senhor desejava alguma coisa e ele lhe respondeu que só estava achando interessante ele estudar, então explicou que queria passar no vestibular de veterinária e o velhinho disse que não se preocupasse porque passaria. Previu também outros fatos que aconteceriam.
Em seguida se despediu dizendo que se veriam depois. Após alguns instantes comentou com seu colega de trabalho que tinha achado aquele homem esquisito por fazer previsões do futuro. O colega disse que não havia entrado ninguém na livraria, foi então que se deu conta de que se tratava de um espírito. Este mais tarde é que lhe ditaria o livro.
O tema da obra fez tanto sucesso que se transformou também em programa de rádio. Nossos irmãos animais vai ao ar toda quarta-feira, às 13h na Rede Boa Nova. Com apresentação de Ana Gaspar, Maria Tereza Soberanski e Marnel Benedeti.

Como o livro foi escrito?
Escrevi o livro em menos de um mês, durante os intervalos das consultas, mas o espírito que ditou não quis se identificar. As cenas foram surgindo em uma tela mental e ao mesmo tempo um espírito narrava os episódios. Outras vezes, não havia imagem, apenas a narrativa; nesses momentos se tornava mais difícil. Apesar de achar o livro maravilhoso, não acreditava que alguma editora pudesse se interessar pelo assunto. Mas certo dia estava ouvindo a rádio Boa Nova quando anunciaram o concurso literário espírita. Resolvi participar e acabei ganhando o concurso 2003-2004 e editando o livro pela editora Mundo Maior.

O que o livro acrescentar para os veterinários e pessoas que possuem animais?
Se as pessoas não tiverem a visão espiritual em relação aos animais, que eles tem espírito e sentimentos vão continuar tratando esses seres como objetos, como era há pouco tempo atrás. Essa onda de conscientização é recente.
Entramos na questão também de comer carne; cada um tem que perceber o que está fazendo. Eu mesmo comia carne e parei para pensar porque comia, se meu corpo recusava, me fazia mal… Mas quando comecei a lembrar as descrições feitas no livro a respeito do matadouro, passei a sentir repugnância da carne.

Sendo veterinário e espírita, como analisa a questão da eutanásia?
O ser humano tem o carma, o animal não. O animal tem consciência, mas muito mais restrita, em relação ao ser humano. Ele segue muito mais os seus instintos.
Então, como não tem carma, a eutanásia deve ser o último recurso utilizado; o veterinário deve fazer todo o possível para salvá-lo.
Se o animal estiver sofrendo muito e não existir outra maneira, o plano espiritual não condena, porque é um aprendizado tanto para o animal quanto para o dono que precisa tomar a decisão.

Os animais reencarnam?
Há um capítulo no livro que explica como ocorre a reencarnação dos animais. Este descreve que cada espécie de animal leva um tempo para reencarnar, mas por possuírem o livre-arbítrio ainda muito restrito, uma comissão avalia as fichas dos animais e estabelece o ambiente que deverão nascer e a espécie.

Como o conhecimento espiritual pode ajudar o veterinário no trato com os animais?
O veterinário, em geral, por natureza, mesmo não sabendo já é espiritualizado, pelo fato de gostar de animais e querer salvar a vida deles. Quando o veterinário adquire consciência de que o animal não é um objeto e sim um ser espiritual, que possui inteligência e sentimento, muda o seu ponto de visa, passa a enxergar os fatos de uma forma mais ampla. Com certeza se mais veterinários tivessem um conhecimento espiritual, o tratamento em relação aos animais seria melhor.

Como é aplicada a homeopatia para animais?
No Brasil, a homeopatia ainda é pouco aplicada nos animais porque muitos acham que não funciona. Só utilizo a homeopatia quando o dono do animal permite e, em casos mais graves, a homeopatia entra como terapia complementar, porque demora um pouco mais para trazer resultado e alguns casos são urgentes.
O uso da homeopatia é igual tanto para pessoas quanto para animais. A única diferença é que o animal não fala, então o dono precisa ser um bom observador para relatar a personalidade do animal para o veterinário, e muitas vezes, não possui as informações necessárias para um diagnóstico mais preciso. Pergunto, por exemplo, se o animal gosta de quente ou frio, do verão ou do inverno, a posição em que dorme, entre outras perguntas do gênero.
Tive o caso, de um gato com câncer e que em decorrência da doença estava com o rosto deformado. Como tratamento ele melhorou 70%. Só não foi melhor porque esse gato saia e demorava a voltar e com isso interrompia o tratamento. Cuidei também de um cachorro com problema de comportamento muito; agressivo. O animal, depois de 10 dias, parecia outro, muito mais calmo. Utilizo também florais para animais em casos emocionais. Se nós equilibramos emocional, o organismo ganha condições combater as bactérias.

E os próximos livros?
Já tenho na editora outro livro em análise que tem o título: Todos os animais são nossos irmãos. E já estou escrevendo o terceiro. Pelas informações que recebi do plano espiritual, serão seis livros.

Entrevista publicada na Revista Cristã de Espiritismo, ed. 29, em 2004.
Dr. Marcel Benedeti desencarnou em fevereiro de 2010.

Cadela poodle adota esquilos nos EUA

Filhotes ficaram sem casa depois que árvore foi derrubada.
Cachorra da Carolina do Norte, que ainda tinha leite, acolheu-os.
Do G1, com AP


Três bebês esquilos são amamentados por Pixie, uma cachorrinha poodle de Henderson, no estado americano da Carolina do Norte. Gail Latta, dona da cadela, disse que os três filhotes ficaram sem casa depois que a árvore em que eles viviam foi derrubada. (Foto: AP)


Pixie ainda tinha leite depois de ter amamentado sua primeira ninhada de filhotes, poucos meses atrás. Depois de cinco semanas, os esquilos foram levados a um centro de animais, que vai continuar cuidando deles até que eles possam ser devolvidos à liberdade. (Foto: AP) (Foto: AP)

Papinha Milagrosa P/ Nossos Peludinhos

Essa receita tem salvo muitos bbs com inapetência (falta de apetite), erliquia, babesia, anemia, e outras doenças.

Ingredientes:

Fígado, coração e músculo de boi (200 gr de cada), inhame (1 inteiro de bom tamanho), beterraba (1/2 média) e cenoura (1 média). Cozinhar com uma pitada de sal e bater no liquidificador em consistência de purê.

Misturar esse patê com a ração. Se seu cão não come ração, misture com arroz.
Não se assuste se o coco sair avermelhado, é por conta da beterraba.
Sei, de casos de cães que se recuperaram em uma semana comendo a papinha.

Outros que engordaram quase 2kg em 20 dias.
Vamos divulgar para ajudar o máximo de cães.

SEPDA – Castração RJ

Prezados (as) protetores (as),
conforme havíamos informado em comunicado anterior, o Programa Bicho Rio está passando por mudanças. Por isso, após pedidos de protetores de diversas localidades, fizemos ajustes no sistema de agendamento para esterilização.
A partir do dia 14 de janeiro de 2010,  o protetor (a) deverá agendar suas vagas diretamente com os agentes administrativos de cada centro de esterilização. Ou seja, se desejar agendar as cirurgias no centro da Praça Seca, deverá ligar diretamente para lá.
Segue abaixo os nomes dos agentes e respectivos telefones de cada centro de esterilização:
Bonsucesso – Danielle – 21 9366-3336
Coelho Neto – Caroline – 21 9496-9452
Realengo – Marcos – 21 9496-9455
Largo do Machado – Kelly – 21 9496-9451
Praça Seca – Aila – 21 9496-9454
O centro do Campo de Santana terá agendamento em todos os dias da semana, a partir das 9h, pelo telefone 21 2293-6518, diretamente com a Dra. Luciana.
Qualquer dúvida, favor telefonar para: 21 2292-6516 e 21 2273-2816.
Att,
Clarisse Chalréo – Imprensa
Comunicação SEPDA
Secretaria Especial de Promoção e Defesa dos Animais
Rua Afonso Cavalcanti, 455 – Sala 348.
Rio de Janeiro
Tel.: 21 2292-6516 /21 2273-2816

Ansiedade de Separação em Cães

( ESTA MATERIA PRA MIM FOI ESPECIAL,MINHA FILHA QUANDO SAI PARA FACULDADE A MYLLA FICA DEPRESSIVA E CHORA MUITO E TB ALGUMAS ATITUDES QUE EU NÃO ENTENDIA E ESPERO QUE AJUDEM A VCS TB) .Ansiedade de separação é o conjunto de comportamentos exibidos por cães quando são deixados sós, sendo um dos problemas comportamentais mais comuns em cães. Os proprietários freqüentemente referem-se a estes animais como “rancorosos”, “chateados”, “raivosos”, que agem com “despeito”, “má vontade”, mas este tipo de explicação não tem nenhuma base etológica. Como conseqüência, acabam punindo seus animais de modo incorreto e contribuindo para a manutenção ou aumento da freqüência do comportamento. O mais correto seria descrever este tipo de comportamento perturbado como resultado de uma resposta ao estresse pela separação da pessoa ou pessoas com quem o animal está ligado ou apegado.

O comportamento de apego é essencial para a sobrevivência de animais sociais. É um mecanismo de coalizão social. A partir do nascimento o filhote forma ligações com a mãe e com os irmãos da ninhada. Posteriormente, com o início do período de sociabilização (2 a 4 meses de idade), o filhote irá se ligar a seus irmãos e a outros cães adultos. Com o cão isto pode incluir outras espécies com que tiver contato neste período. O período de sociabilização determina o tipo de relação social que um animal estabelecerá, bem como os processos de comunicação, coordenação, hierarquia e o tipo de relação que terá com seu proprietário. A ligação implica numa relação de confiança e é o fundamento do laço entre o proprietário e o animal de estimação. Porém, quando um cão fica dependente demais de seu proprietário poderá desenvolver alterações comportamentais associadas a separação.

Poderão ser observados: defecação e micção em localizações impróprias, comportamentos destrutivos ( escavar, arranhar, morder objetos pessoais, móveis, paredes, portas e janelas), vocalizações excessivas (latidos, uivos e choramingos), depressão, anorexia e adipsia e hiperatividade. Porém é preciso deixar claro que, somente o levantamento do histórico comportamental e do contexto em que estes comportamentos ocorrem podem determinar um diagnóstico de ansiedade de separação.

Definições necessárias

Medo: sentimento de apreensão associado a presença ou proximidade de um objeto, indivíduo ou situação social de risco. O medo é parte do comportamento normal e pode ser uma resposta adaptativa. A determinação de até que ponto o medo ou respostas de medo são anormais ou inapropriadas deve ser feita pelo contexto em que ocorrem. O medo normal ou anormal são geralmente manifestações graduadas, com intensidade de resposta proporcional à proximidade ou percepção da proximidade do estímulo.

Fobia: uma resposta súbita, tudo ou nada, profunda, anormal, que resulta num comportamento de medo extremo (catatonia, pânico). Muitas reações de medo são aprendidas e podem ser desaprendidas com exposições graduais. Fobias são definidas como reações de medo desenvolvidas rapidamente e profundamente e que não são extintas com exposições graduais. Uma vez o evento fóbico tenha sido experimentado, qualquer evento associado a ele ou a memória deste é suficiente para gerar a resposta.

Ansiedade: uma antecipação apreensiva de um perigo futuro ou desgraça acompanhada por um sentimento de disforia e ou sintomas somáticos de tensão (vigilância e atenção, hiperatividade autonômica, manifestações fisiológicas, aumento da atividade motora e tensão)

Origem e Diagnóstico

A principal característica da ansiedade de separação é que os comportamentos indesejados estão claramente relacionados à ausência de um ou de todos os membros da família. Ocorre quando o animal não pode ter acesso ao proprietário. Mesmo que o animal esteja na companhia de outras pessoas ou animais, o comportamento pode vir a se manifestar por estar associado a ausência de uma pessoa em especial com quem o animal tem uma “ligação muito forte”. Deve-se procurar fazer diagnóstico diferencial com outros distúrbios comportamentais e patológicos. Para isso é preciso obter-se a história comportamental detalhada do proprietário.

O comportamento de ganir, latir e uivar no filhote pode ser considerado normal e é o resultado da separação da mãe, visando a reunião. Quando isto não ocorrer, o filhote fica deprimido, quieto e imóvel até o retorno da mãe. No caso de cães adultos este comportamentos podem se repetir, mas são considerados distúrbios devido às conseqüências.

Cães com ansiedade de separação são muitas vezes obedientes e bem treinados quando estão na companhia do proprietário. A ansiedade de separação é então considerada como o resultado de um estresse pela ausência do proprietário.

Eventos traumáticos na vida de um cão jovem podem aumentar a probabilidade do desenvolvimento de ansiedade de separação. Estes eventos incluem: separação precoce da mãe, privação prematura de laços com a ninhada (filhote de cães mantidos em lojas ou abrigos para animais), uma mudança súbita de ambiente (casa nova, ficar em um canil), uma mudança no estilo de vida do proprietário, resultando em um súbito término no contato constante com o animal, uma ausência de longo prazo ou permanente de um membro da família (divórcio, morte, crianças que crescem e deixam a casa, volta para a escola ou trabalho, férias que terminam) ou a adição de um novo membro na família (bebê recém-nascido, novo relacionamento social ou novo animal de estimação). O problema também pode ser o resultado de uma estadia prolongada ou traumática na casa de um parente ou amigo, em um canil ou hotel. A ansiedade de separação pode estar ainda associada a um evento traumático que possa ter ocorrido durante a ausência do proprietário (explosões, tempestade, assaltos violentos).

Não há predisposição sexual ou por raça. Cães de rua recolhidos em canis de adoção têm predisposição a ansiedade de separação.

Os cães com predisposição a ansiedade de separação são ansiosos, agitados e super ativos. Seguem o proprietário por todo lado, pulam em cima dele e correm sem parar.

Muitos cães podem sentir quando seu proprietário está para sair de casa e ficam ansiosos até mesmo antes de sua saída. Enquanto o proprietário se prepara para sair, o cão apresenta sinais de:

*
aumento de atividade, choramingar, ganir, solicitar atenção, pular e seguir o proprietário onde quer que ele vá, tremer ou até mesmo fica agressivo quando o proprietário tenta partir; neste caso a agressão por dominância deve ser pesquisada;
*
depressão, fica parado, deitado sem se mexer quando o proprietário chama ou tenta tirá-lo do lugar.

Depois de um tempo variável da saída do proprietário, os cães:

*
arranham, cavam e mastigam as portas e janelas na tentativa de seguir seu proprietário;

*

mastigam, arranham e cavam objetos domésticos ou pessoais (livros, móveis, fios, paredes, roupas);
*

urinam e defecam em localizações inaceitáveis, como na porta ou na cama do proprietário e vocalizam (choramingam, latem e uivam sem parar);
*

ficam deprimidos e não comem ou bebem enquanto o proprietário não volta. Isto é especialmente prejudicial se o proprietário ficar fora por um longo período;
*

sialorréia, tremor, dispnéia, taquicardia, diarréia, vômito ou auto-mutilação (morder e lamber patas e outras partes de seu próprio corpo).

A maioria dos cães afetados fica super excitado quando o proprietário retorna, saudando seu proprietário mais efusivamente do que o normal. Quando o proprietário retorna, o cão geralmente torna-se extremamente ativo e exagera suas saudações à chegada do proprietário.

Se o problema for recente e o animal não for de temperamento extremamente ansioso, o prognóstico será favorável. Já nos casos mais antigos de ansiedade, ou nos casos em que há associação com comportamentos de pânico, o prognóstico é reservado.

Diagnóstico diferencial

Um cão com comportamento destrutivo deve receber um diagnóstico diferencial. É preciso recolher a história comportamental, o foco do comportamento, o contexto e as circunstâncias nas quais o comportamento ocorreu. Deverão ser caracterizados o ambiente social e físico e a rotina diária (alimentação, higiene, brincar, exercício, dormir). A história comportamental irá informar também como ocorreu o processo de educação e adestramento, incluindo a forma como foi realizado o treino para as eliminações e como foram aplicadas as punições. Deve-se caracterizar a rotina dos habitantes da casa e a forma como se dão as interações, incluindo o sociograma.

Os principais diagnósticos diferenciais devem ser feitos de acordo com o comportamento exibido:

1. Comportamentos associados a eliminação: Falta ou educação deficiente para eliminação. Falta de oportunidade de defecar e urinar em local apropriado Medo ou excitação Submissão, saudação e marcação Patologias (cistite, prostatite, gastroenterites). Cães idosos Agressividade por dominância ou territorial 2. Comportamento destrutivo Comportamento lúdico ou exploratório Mastigação de filhote Resposta de medo Reação a estímulos excitatórios Super atividade Agressividade por dominância ou territorial 3. Vocalização Reação a estímulos excitatórios (sonoros) Facilitação social Lúdico Agressão Respostas de medo O exame laboratorial deve incluir urinálise, coproparasitológico, hemograma, sorologia e hormônios da tireóide e glândula adrenal (hiperadrenocorticismo), na dependência da história e dos sintomas clínicos associados. É preciso pesquisar sintomas de dor. Para cães de mais de 8 anos está indicada a colonoscopia na dependência dos sintomas. Nos casos envolvendo animais com mais de 8 anos, os processos patológicos podem estar associados a disfunção cognitiva geriátrica canina. Esta patologia determina lesões comparáveis a Alzheimer humana, porém a causa não foi ainda estabelecida. Suas manifestações incluem, além dos comportamentos de ansiedade de separação, diminuição de obediência a comandos, irritabilidade, confusão, perda do condicionamento associado a eliminações e alteração no padrão de sono.

Tratamento

Antes de se iniciar qualquer protocolo de tratamento comportamental é preciso orientar o proprietário em como ocorre o aprendizado canino. O conhecimento que temos do processo cognitivo animal é o resultado da análise experimental do comportamento e estabelece relações funcionais entre as variáveis comportamentais e as variáveis ambientais e endógenas. Assim, quando se observa o comportamento de um animal, é preciso entender que ele foi o resultado da interação destas variáveis. Se um determinado animal apresenta ansiedade de separação, o que está implícito é o resultado da relação da ausência do proprietário, o comportamento resultante e os estímulos conseqüentes (condicionamento). O comportamento foi portanto reforçado. Então é preciso identificar quais são os estímulos reforçadores. No caso da ansiedade de separação identificaremos estímulos antecedentes (sinais da saída do proprietário), respostas (após um tempo determinado da saída, o cão apresenta comportamentos inadequados tais como: destruição, eliminação inadequada, vocalização etc.) e no retorno do proprietário haverá estímulos conseqüentes (dar comida, fazer carinho), responsáveis pela probabilidade futura da emissão dessas respostas. É importante ressaltar que, seja qual for o comportamento do proprietário, se o comportamento indesejado se mantiver ou aumentar em freqüência, este estímulo será chamado de reforço positivo. O proprietário deve ser alertado de que, uma vez iniciado o protocolo de modificação comportamental, ele deve se programar e se determinar a segui-lo passo a passo, evitando qualquer falha de procedimento. Parte do tratamento inclui a extinção do comportamento indesejado, isto é não deve haver mais a apresentação de reforço positivo após a emissão do comportamento anteriormente condicionado. Se o proprietário falhar poderá haver o retorno do comportamento e desta vez ainda mais difícil de ser extinto ou modificado. Por outro lado, pode haver estímulos conseqüentes ao próprio comportamento, então diremos que são estímulos auto-reforçadores. Pensando nisto deveremos assegurar que o animal tenha acesso somente a seus próprios objetos, brinquedos, e ossos. Ele não deverá ter mais acesso a objetos pessoais ou móveis. Se preciso, pode-se colocar uma chapa plástica nas paredes para evitar que ele as cavouque.

O princípio subjacente a toda técnica de tratamento para fobias, medos e ansiedades consiste em permitir que um animal experimente situações que elicitem medo e ansiedade sem que fique ansioso ou com medo. Para isso é preciso identificar quais são estes estímulos.

Os métodos para tratar ansiedade de separação incluem: modificação da relação entre proprietário e seu animal de estimação, exercício físico, treino para obediência, modificação dos estímulos antecedentes e conseqüentes, prevenção e medicamentos ansiolíticos.

O sucesso do manejo da ansiedade de separação inclui ensinar o cão a tolerar a ausência do proprietário e corrigir os problemas associados a destruir, vocalizar, e eliminar em locais inadequados.

O cão deverá adaptar-se gradualmente a ficar só através de exposição a pequenas partidas. Se a resposta ansiosa acontecer logo após a partida do proprietário (dentro de 30 minutos), o cão deverá permanecer sozinho, no princípio, durante intervalos muito pequenos (5 minutos) para assegurar o sucesso do tratamento. O período de ausência é então gradualmente aumentado. O proprietário deve evitar a interação enquanto o animal apresenta comportamentos ansiosos. Deve assegurar que o cão não se ocupe com saudações prolongadas no retorno do proprietário, gratificando ou premiando o animal somente quando este estiver tranqüilo e calmo.
O tratamento pode ser iniciado com a dessensibilização às pistas ou sinais que indiquem ao cão a saída do proprietário. O animal deverá permanecer calmo enquanto o proprietário se movimenta. As pistas que antes informavam ao cão a futura saída (estímulos discriminativos antecedentes) serão expostas ao cão, mas não devem ser concluídas com a saída real do proprietário. Pode-se também fazer o contra condicionamento, para isso treina-se o cão a manter-se sentado e calmo enquanto o proprietário se movimenta, se afasta cada vez mais até chegar perto da porta. Posteriormente este treino é feito com ausências que serão gradualmente aumentadas. O proprietário se ausenta por tempos progressivamente maiores, mas não lineares (2, 5, 3, 6, 4, 8 minutos), e retorna antes que o cão manifeste comportamentos ansiosos.

As partidas e retornos deverão evitar super estimular o cão. O cão não deverá receber gratificação ou atenção nas partidas e chegadas. Atenção excessiva anterior à partida e no retorno parece aumentar a ansiedade de separação. Pode-se condicionar o animal a associar a saída do proprietário com um retorno breve e seguro. A TV ou rádio podem permanecer ligados ou um brinquedo apropriado pode ser fornecido ao cão. Porém, é muito importante que a pista não seja um artigo associado a ansiedade. Estas sugestões ajudam o cão a associar positivamente o período de isolamento. Uma vez iniciado o tratamento, o cão não poderá ficar sozinho mais do que o tempo estipulado. É fundamental identificar se há componente de pânico associado; em caso positivo, deve-se tratar a condição, pois o pânico está associado a estímulos específicos e a ausência do proprietário é apenas a chave de onde parte o problema.

Medicamentos ansiolíticos auxiliam a suprimir a ansiedade de separação. São freqüentemente usados em cães com ansiedade de separação severa ou quando os proprietários têm que deixar o cão só por um período longo enquanto o tratamento está em andamento. Na maioria dos casos, fármacos não são uma solução e devem ser usados em combinação com um programa de modificação comportamental. A escolha do medicamento deve levar em conta o fato destes diminuírem a capacidade de aprendizagem e que seu efeito varia de acordo com o indivíduo. O ideal é que ansiolíticos sejam dados ao animal enquanto o proprietário está em casa, para se determinar a duração e os possíveis efeitos colaterais. Caso não sejam constatados efeitos colaterais, a droga deve ser dada uma hora antes da saída do proprietário. A diminuição da dose deve ser gradual e conforme avaliação do sucesso do programa de modificação comportamental. Os principais medicamentos utilizados são os antidepressivos tricíclicos, progestágenos, barbitúricos, fenotiazinas e benzodiazepínicos. O objetivo é reduzir a ansiedade sem induzir sedação, o que poderia interferir com a aprendizagem. Além disso é preciso considerar o estado clínico do animal antes de se ministrar o medicamento e os efeitos colaterais.

Em casos severos o proprietário pode ter também que executar um programa de dessensibilização da dependência do cão a uma pessoa, evitando contatos prolongados, impedindo que o animal durma no mesmo quarto ou na mesma cama que o proprietário. Ignorar o cão por um período de tempo não quebrará o laço afetivo com o proprietário, mas diminuirá a dependência extrema do cão, permitindo que ele tolere sua ausência sem ansiedade. Ignorar um animal de estimação pode ser difícil para o proprietário, mas é importante que ele entenda que isto resultará em uma relação muito mais saudável e feliz para ambos.

Castigos ou punições físicas só pioram a ansiedade, por isso não são recomendados como tratamento. A punição é um procedimento que visa suprimir rapidamente a freqüência de um comportamento por meio de um controle aversivo. Raramente o procedimento é aplicado com planejamento e conhecimento. As pessoas confundem punição com “castigo”, sendo que o castigo aplicado muitas vezes só serve para aliviar a ira do proprietário contra um cão que fez algo inadequado. Como conseqüência há o desenvolvimento de comportamentos respondentes (medo/agressividade) diante do punidor. O uso da punição como estímulo aversivo deve ser feito com planejamento, de modo que a punição seja aplicada imediatamente após a ocorrência do comportamento a ser suprimido, o que é difícil pois, no caso de ansiedade de separação, tais comportamentos só ocorrem na ausência do proprietário.

Prevenção

Quando o proprietário inicia um relacionamento com seu animal de estimação de maneira muito intensa, afetiva, carinhosa e por muito tempo, mas sabe que esta disponibilidade irá mudar, deveria preparar gradualmente o cão para essas mudanças, evitando assim a ansiedade de separação.
Se um filhote ou um cão novo é trazido para casa, é importante evitar situações que encorajem um apego excessivo. O cão deve ser acostumado lentamente a ficar. Isto pode ser realizado através do “treino da gaiola” (anexo1). Este tipo de exercício é especialmente útil quando se sabe que o proprietário irá se ausentar por longos períodos. Outra orientação deve alertar o proprietário a impedir que o cão o siga constantemente, ajustando-o gradualmente a estar só em casa por um longo período. Deve-se evitar estimular ou reforçar comportamento de brincar com outros objetos que não os brinquedos apropriados. Todos os comportamentos que estimulem demasiadamente o cão devem ser evitados. Todo comportamento de chamar a atenção ou solicitar coisas ao proprietário não devem receber atenção. Os comportamentos tranqüilos e silenciosos devem ser reforçados. Após os 5 meses de idade o cão pode ser ensinado a sentar, ficar e esperar. Se o cão começar a morder objetos inadequados, o proprietário deverá evitar a interação, mas se for absolutamente necessário deve-se utilizar um spray de água imediatamente enquanto o animal morde o objeto (estímulo aversivo). O exercício físico diário (passeio), deve durar no mínimo 20 minutos e oferece a oportunidade da interação tranqüila, calma, paciente e consequentemente gratificante. O passeio possibilita ainda a oportunidade de ensinar o cão a sentar, ficar e esperar.

Anexo 1

*
Treino da gaiola para filhotes a partir de 45 dias de idade.
*
Use um gaiola ou uma caixa de transporte com espaço suficiente para o filhote dar a volta.
*
Acostume o filhote a ficar, dormir ou brincar neste espaço sem fechar a portinha.
*
Após uma semana inicie o treino, deixando o filhote por curto espaço de tempo, fechado na casinha e sem contato visual com você.
*
Terminado o tempo estando o filhote calmo e relaxado, abra a porta e interaja com o cão de modo calmo.
*
Vá progressivamente aumentando o espaço de tempo em que o animal fica fechado dentro da casinha até chegar a 1,5 horas.
*
Assegure-se que ele tenha evacuado e urinado antes de iniciar o exercício.
*
Não corra atrás do animal para pegá-lo.
*
O alimento deve ser fornecido 15 minutos depois de terminado o exercício.

http://redebichos.ning.com/group/dicasteisparaseusbichinhos/forum/topic/show?id=3060656%3ATopic%3A47827&xg_source=msg_group_disc

Cloreto de Magnésio? Uma verdadeira panacéia… também para os animais

Autora: Marie-France Muller – doutora em psicologia e naturopatia

Capítulo 5 – págs 38 a 55 do livro Medicamentos suaves para animais para melhor curá-los e amá-los
Editor – Jouvence Editions – France
Tradução livre: Nina Rosa Jacob

Argila e cloreto de magnésio são, a meu ver, insubstituíveis por sua simplicidade de aplicação, sua importante eficácia e seu baixo custo. Você conhece esse remédio maravilhoso, simples, não tóxico e barato? Ele permite que você cure a você mesmo e a seus animais por alguns poucos reais, mesmo quando os antibióticos parecem não resolver. Trata-se de um remédio muito fácil de encontrar, é vendido sem receita, em qualquer farmácia.

Resultados rápidos

Pouco ou mal conhecido, (diria mesmo desconhecido,) o cloreto de magnésio normalmente permite obter resultados rápidos e espetaculares, inclusive em alguns casos de patologias graves ou agudas, e em um bom número de doenças infecciosas. O Professor Delbet considera-o um dos melhores agentes profiláticos do câncer. Daí seu imenso interesse, inclusive para os animais. Ele pode prestar imensos serviços tanto nos pequenos males, quanto nos casos mais sérios que atingem esses nossos amigos

É também um remédio preventivo de múltiplas virtudes, cujo único inconveniente é… seu gosto detestável! Entretanto, nunca tive dificuldades para ministrá-lo a meus animais: passada a primeira (e desagradável) surpresa, eles constatam sua eficácia e compreendem que têm todo o interesse em tomá-lo. Nisso eles são muito mais sábios que a maioria de nós…

No uso veterinário, o método citofilático (“que protege as células”), o cloreto de magnésio oferece múltiplas possibilidades.

Nos meus amigos de patas (quatro ou duas), os resultados sempre foram excelentes: do hamster ao nosso cão, todo mundo toma, ao menor sinal de alarme. Em geral nós acrescentamos regularmente um pouco em sua comida, de acôrdo com seu peso, para prevenir eventuais doenças. Funciona!

A maioria de meus pequenos companheiros foram resgatados de um fim prematuro e chegaram à nossa casa em desespero de causa (mas em geral se restabeleceram). Nesses casos, começamos por lhes ministrar uma cura de cloreto de magnésio em boa dose (não importa se ocorrerem alguns estragos nos dois primeiros dias); o bom resultado não se faz por esperar…

Alguns animais precisam ser “persuadidos” a engolir essa mistura, mas sempre conseguimos, mesmo com animais que não nos conhecem.

Modo de usar

Fácil de preparar, simples de tomar, barato, esse remédio pode evitar os problemas mais graves. Assim, um gato em contato com outro que tenha leucose – essa doença terrível similar à leucemia, que dizima a população felina – poderá facilmente estar protegido de eventual contaminação, se consumir diariamente na sua comida um pouco de cloreto de magnésio.

Importante saber que esse produto tem efeito ligeiramente laxativo. Se você lhe ministrar demais, pode acontecer um pequeno acidente; mas em geral seu animal não terá dificuldade de reter; não interrompa o tratamento por causa disso. Considere como normal e de bom augúrio as fezes moles de seu gato ou cão no início do tratamento; logo as coisas se regularizarão sozinhas.

Preparação

Nada mais simples. Você encontrará o cloreto de magnésio em sachês de 20 gramas ( no Brasil, em média 33 gramas).

Diluir o conteúdo de um sachê em um litro de água pouco mineralizada, e está pronta a solução para ser utilizada. Ela se conserva muito bem, mesmo sem geladeira. Melhor ter sempre alguns sachês à mão, para evitar atravessar a cidade domingo à noite procurando uma farmácia aberta.

USO INTERNO

Ministrar uma dose da solução (de acordo com o peso do animal) de uma a seis vezes ao dia, de acordo com o caso (ver adiante). Pode-se ministrar a solução diretamente ou misturar na comida ou bebida.

1 – se desejamos apenas um efeito preventivo (fadiga, epidemia ou outro) geralmente é suficiente tomar uma dose pela manhã ou à noite durante alguns dias.

2 – Em caso de doença aguda (febre, todas as infecções,) é aconselhável começar por duas ou três doses com 3 horas de intervalo; depois uma dose a cada 6 horas durante 48 horas; em seguida a cada 12 horas (de acordo com o estado do animal). Finalmente, apenas uma dose ao deitar durante uma semana, para restaurar a imunidade.

3 – Em casos de distúrbios benignos sem febre, podemos nos contentar com uma dose, uma ou duas vezes ao dia. Sempre prosseguir alguns dias após o desaparecimento dos sintomas.

Como poderá constatar, esse tratamento é simples, pode ser levado sem problemas em viagens, porém muito eficaz. Ele combina muito bem com tratamento homeopático ou outro, se necessário.

GATOS

Nossos queridos são delicados; nem pense em misturar uma colher de café da solução no seu patê, mesmo naquele seu preferido: eles vão amarrar a cara com um “snif” desdenhoso e preferirão se abster de comer, a cometer tal indignidade. Em caso de doença, o método forte se impõe: a seringa! Use uma seringa hipodérmica.

Segure seu gato pela pele do pescoço, levante-o ligeiramente ou mantenha-o firmemente imobilizado(depende do gato) e injete rapidamente o medicamento na sua garganta, pelo canto da boca. Lembre-se de mantê-lo ainda alguns instantes seguro até perceber que ele engoliu.

Nos casos de gatos que se oponham vigorosamente a qualquer ação deste gênero, melhor fazer o procedimento em duas pessoas: envolva o gato numa coberta ou uma toalha de banho grande, enrole várias vezes para não ser arranhado, mantenha-o apertado, deixando de fora apenas a cabeça, que a segunda pessoa vai segurar com uma mão e introduzir o medicamento com a outra.

Posologia

– gato filhote: (10 cc respeitando o ritmo (uma a seis vezes por dia)

– gato adulto: 20 cc à uma colher de café por dose

Doença dos gatos jovens: Tifo
Por ser um vírus muito contagioso, é a doença mais mortal nos felinos não vacinados (e mesmo entre os vacinados). O método citofilático traz excelentes resultados, mesmo que aplicado tardiamente. Porém, evidentemente melhor os tratar desde os primeiros sintomas.

Uma ou duas colheres de café da solução cada 2 ou 3 horas no primeiro dia, depois 2 ou 3 vezes por dia conforme for melhorando, até o restabelecimento definitivo.

Gastro-enterite infecciosa
Também nessa doença o cloreto de magnésio faz maravilhas quando ministrado uma colher de café (duas, se o tratamento vier tardiamente) a cada 3 horas até a melhora dos sintomas; depois apenas uma colher de café 2 ou 3 vezes por dia até o completo retorno à normalidade.

Todas as outras doenças podem ser tratadas da mesma forma.
CAVALOS

O tratamento pelo cloreto de magnésio mostra-se muito eficaz e barato.

Gurma(usagre),estado febril, febre tifóide,… não há doença infecciosa que resista a este tratamento tão simples.

Existem tres métodos:

– se seu amigo aceita o remédio: injetar em sua boca com uma grande seringa um litro ou mais da solução.

– se ele não aceita, será necessário mantê-lo afastado de seu bebedouro habitual e fazê-lo beber a solução em um balde.

– outra possibilidade: misturar a solução no trigo.

Posologia

Potro: meio litro da solução 2 vezes ao dia ( ou mais , se necessário)

Até 500 kilos: 1 litro cada 6 horas durante quatro dias, depois cada 8 horas até o restabelecimento definitivo.

Mais de 500 kilos: 1 litro e meio da solução, como indicado acima.

Em casos muito graves, iniciar com duas doses a cada duas ou três horas.

Em todos os casos, respeitar os ritmos indicados. Podemos aumentar ou diminuir a quantidade em função das reações do animal; os cavalos em geral reagem muito bem ao tratamento.

Uso externo

Em uso externo a solução de cloreto de magnésio também lhes trará muitos benefícios: banhos para os pés, lavagem de feridas e lesões, compressas, etc. É um bom complemento ao tratamento com argila. Pode-se preparar a pasta de argila usando a solução de cloreto de magnésio no lugar da água.

Nota: este tipo de tratamento se aplica também aos bovinos. O Doutor Neveu trata também com sucesso a febre aftosa, o aborto, a dificuldade de parir, a mastite, o fleumão, as corizas e bronquites verminosas…

Mesmas posologias.

CÃES
Em geral é suficiente adicionar ao seu patê ou latinha a dose necessária: ele engolirá tudo gulosamente. Se ele estiver muito doente e se recusar a se alimentar, use o sistema da seringa hipodérmica (sem a agulha, evidentemente!) e injete o líquido em sua garganta pela comisura dos lábios.

Posologia
– cão pequeno porte ou filhote: uma colher de café ou de sopa (20 a 50 cc) uma a várias vezes ao dia, de acordo com seu tamanho e com a gravidade do caso.

– cão porte médio: um copo (125cc) uma a várias vezes ao dia

– cão porte grande: um copo e meio (180cc) uma a várias vezes ao dia.

Doença do Quadrado (Carré)

Essa doença equivale à poliomielite humana e se cura com o mesmo método. O cloreto de magnésio cura imediatamente a forma óculo-nasal, cura rapidamente as formas digestivas e respiratórias.

Ele cura também a forma nervosa, paralisante, desde que a paralisia não exceda ainda 8 dias. Minha experiência comprovou que, mesmo nesses casos, é possível obter a cura, e, em todos os casos, ocorre uma visível melhora no estado do animal.

Ministrar a solução cada 6 horas durante quatro dias, depois cada 8 horas até o restabelecimento total. Em casos muito graves, iniciar por duas doses a cada 2 ou 3 horas.

Em casos de urgência, peça ao seu veterinário as injeções intravenosas de cloreto de magnésio Cloreto de magnésio injetável, comercializado em farmácias (laboratório Meram): elas podem salvar a vida do animal.

N.B. as ampolas contém 5 g de cloreto de magnésio por 20 ml de soro fisiológico: 1/2 ampola é suficiente para um cão de grande porte, ¼ de ampola para um de pequeno porte. Esta fórmula galênica só se utiliza em situação de grande urgência, como por exemplo em casos declarados de tétano, leucemia aguda, hepatite viral, parvovirose…

A injeção deve ser aplicada por via intravenosa lenta (20 minutos).

Piroplasmose
A cura é rápida: ministrar uma dose da solução pela manhã e à noite durante 2 ou 3 dias.

Gastro-enterite
Ministrar a solução pela manhã, meio dia e noite, durante 5 dias.

Picada de cobra
Saiba que, nesses caso em particular, o cloreto de magnésio pode salvar seu animal e você: em geral apenas uma dose é suficiente!

PORQUINHO DA INDIA, COELHO ANÃO
É muito fácil faze-los tomar a solução com um conta-gotas. Uma dezena de gotas são suficientes, de uma a seis vezes por dia. Em casos de infecção grave, não hesite em ministrar uma colher de café duas ou três vezes por dia: não há risco algum de super-dosagem! Como ação preventiva, podemos também banhar os grãos que eles comem com algumas gotas, adicionadas de uma preparação de vitamina C.

Em casos de problemas de pele (sobretudo para coelho anão) ou de conjuntivite, o cloreto de magnésio (assim como a argila) é muito eficaz quando aplicado localmente.

GALOS, GALINHAS, PATOS, POMBOS, ROLINHAS, etc.

É muito fácil tratar nossos amigos de penas dessa maneira, porém o mais simples é evitar que eles fiquem doentes, tendo o hábito de misturar o cloreto de magnésio à sua comida. Esta precaução é ainda mais importante se você consome seus ovos.

Preventivamente: uma dose adaptada ao peso do animal no bebedouro (e também na argila) ou, pAra maior eficácia, misturada à sua comida.

Curativamente: Trate separadamente o animal doente ministrando-lhe diretamente no bico a dose necessária, ou substitua a água dele pela solução magnesiana.

Difteria aviária, cólera aviária, febre aviária, peste aviária: Uma dose da solução a cada 3 horas (somente durante o dia) até o restabelecimento da saúde.

Pneumonia contagiosa dos frangos: Uma dose da solução a cada duas horas durante o dia até o restabelecimento da saúde.

Diarréia branca, etc.: Substituir a água do bebedouro pela solução de cloreto de magnésio.

Pevide (Pépie): Uma vez retirada a enduração córnea da língua, ministrar imediatamente duas colheres de café da solução: sua galinha voltará imediatamente a comer.

Posologia média geral
– galinha, galo: uma ou duas colheres de café (dependendo do tamanho da ave)

– pato: uma ou duas colheres de sopa

– pombo, rolinha: meia colherinha de café.

HAMSTER

Três a quatro gotas serão suficientes, ministradas com conta-gotas ou misturadas à sua água de beber. Em casos de problemas de pele, podemos também lavar a mesma com um pouco da solução.

PÁSSAROS
O tratamento citofilático é um grande recurso na prevenção de doenças. Faça um tratamento de duas ou três semanas nas mudanças de estação ou quando ele lhe parecer doente. De acordo com o tamanho, adicione a dose da solução de cloreto de magnésio diluída em sua água de beber: eles aceitam muito bem. Vigie seus excrementos e diminua a dose em caso de diarréia.

Posologia
– pássaros pequenos (canários, etc.): meia colherinha de café da solução no seu bebedouro cheio de água (podemos acrescentar vitaminas ao mesmo tempo). Para os pequenos passarinhos e as raças muito pequenas, algumas gotas serão suficientes.

– rolinhas, mainás…: uma colher de café da solução para um bebedouro cheio de água.

– papagaios: uma colher de sopa da solução para um bebedouro cheio de água.

PEIXES

Adicione algumas (poucas) gotas de cloreto de magnésio na água do aquário: só poderá lhes fazer bem. Atenção à dose, principalmente para os peixes de água doce. Seja muito moderado!

USO EXTERNO

Utilize o cloreto de magnésio para tratar todos os ferimentos ou lesões possíveis. A solução não arde e seu animal guardará uma boa lembrança para a próxima vez. Pense também em pomadas à base de cloreto de sódio.

Chagas, ferimentos diversos, mordeduras
Lave bem o ferimento com a solução de cloreto de magnésio sem adicionar nenhum outro produto. Se o ferimento parecer infeccionado: aplicar uma compressa embebida na solução e mantê-la no local, se possível, com uma bandagem. Se não for possível, tente deixa-la sobre o ferimento ao menos alguns minutos: o tempo de fazer-lhe um bom carinho.

Em alguns casos pode ser mais fácil e eficaz para banhar um membro (a perna de um cavalo, uma pata) utilizar uma bacia cheia da solução normal a 20 ou 33 gramas por litro de cloreto de magnésio – à qual você poderá adicionar argila (nesse caso melhor fazer o tratamento do lado de fora, se possível, em consideração aos seus tapetes!) Alguns minutos serão suficientes. Repetir o procedimento quantas vezes for necessário.

Ao mesmo tempo que a aplicação externa, é muito útil ministrar também o cloreto de magnésio por via interna, a dose da manhã e da noite, até o completo restabelecimento.

Em caso de infecção, temperatura elevada: siga a posologia habitual ministrando a solução em intervalos regulares várias vezes ao dia.

Eczema, sarna, alopecia e outros problemas de pele

Banhar generosamente a pelagem duas a três vezes ao dia, fazendo a solução penetrar até a pele. Cuidado no inverno para que o animal não sinta frio. Acrescente um pouco de cloreto de magnésio à sua alimentação cotidiana para manter as defesas imunológicas, adicione também levedo de cerveja e óleo de germe de trigo (vitamina E).

Queimaduras

Aplique uma compressa de gaze embebida de cloreto de magnésio. Deixe-a no local afetado, molhando suavemente com a solução várias vezes ao dia. Pode-se alternar esse tratamento com aplicações de lama argilosa.

Todos os animais podem se beneficiar do método citofilático, associado ou não a outros tratamentos. Inspirando-se nos conselhos aqui descritos e com um pouco de prática, você estabelecerá facilmente o melhor programa de tratamento.

Tradução livre: Nina Rosa Jacob