Após rejeição, cão enterrado vivo posa ao lado da nova família em MG

Valente foi adotado por família de Itamogi e vive com ‘irmãos’ caninos.
Animal foi resgatado por movimento de proteção após sofrer violência.

Jéssica BalbinoDo G1 Sul de Minas


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Ao lado do 'irmão', Valente está feliz com a nova família (Foto: Arquivo Pessoal / Thamiris Teodoro)Ao lado do ‘irmão’, Valente está feliz com a nova
família (Foto: Arquivo Pessoal / Thamiris Teodoro)

Após quase dois anos, um cão que foi praticamente dado como morto após ser enterrado vivo em Poços de Caldas (MG), hoje esbanja saúde e alegria. Valente, que recebeu este nome após ser resgatado e ter sobrevivido a maus-tratos, agora tem uma família. O cão divide a casa com os “pais” e os cinco irmãos caninos em Itamogi (MG).

De acordo com a cabeleireira Thamiris Beatriz Silva Moreno Teodoro, de 24 anos, que adotou o cachorro após conhecê-lo no hotelzinho em que ele estava em Poços de Caldas (MG) depois de ser resgatado, Valente traz a gratidão na expressão do olhar. “Ele é muito agradecido e muito amoroso. Tem um olhar de ‘muito obrigado’, sabe? Só quem adota um cachorro sofrido sabe como é esse olhar”, contou.

Valente tem este nome por causa da própria história, marcada por agressões feitas por um objeto cortante, por ter sido enterrado vivo e por ter enfrentado a rejeição durante muitos meses antes de finalmente encontrar um lar. Para Thamiris, o cão foi um presente de casamento antecipado. “Eu fui a Poços para adotar um cachorro, sabia de outro, mas me mandaram um vídeo do Valente e quando fui conhecê-lo, me apaixonei na hora que eu o vi e ele veio correndo e pulou em mim”, disse a dona do animal.

Com a 'mãe', Valente se diverte em passeios e com patês de fígado (Foto: Arquivo Pessoal / Thamiris Teodoro)Com a ‘mãe’, Valente se diverte em passeios e com patês de fígado (Foto: Arquivo Pessoal / Thamiris Teodoro)

Segundo a presidente do “Movimento das Patinhas”, Maria Luísa Untura Carneiro Santiago, que ajudou no resgate do cachorro quando ele foi enterrado vivo, Valente “lutou para sobreviver”. Quando foi encontrado, segundo a veterinária Sheila Patresi, que também acompanhou o resgate de Valente, ele tinha a pata dianteira esquerda fraturada, um corte na cabeça de cerca de 28 centímetros feito por objeto cortante, uma perfuração na coxa direita que já havia provocado uma ferida, bernes no saco escrotal, além de cupins por todo o corpo. Ele também estava bastante sujo de terra por ter sido enterrado.

Depois ser rejeitado e enterrado vivo, Valente se diverte com família (Foto: Arquivo Pessoal / Thamiris Teodoro)Depois de enterrado vivo, Valente se diverte com a
família (Foto: Arquivo Pessoal / Thamiris Teodoro)

"O amor foi essencial na recuperação dele. Ele cura qualquer trauma. Ele tinha medo de humanos e hoje é o cão dócil que podemos ver”, disse a veterinária. Desde o primeiro momento em que viu Valente, Thamiris não se separou mais dele. O cão já viajou com ela de Poços de Caldas para Itamogi e apesar da gratidão, já pregou peças na dona.

“Quando chegamos, na primeira casa que fomos morar, ainda tinham pedreiros trabalhando e em um descuido ele fugiu. Achamos ele fácil, porque perto de casa tinha um pasto e ele foi para lá. Quando me viu, venho correndo, todo sujo de coco de vaca”, lembrou.

Contudo, apesar de ser apaixonado por patês, Valente não ‘consegue’ engordar. De acordo com Thamiris, não é por falta de tentativas. “Ele é muito magro e eu vivo tentando engordar ele. Já tentei vitaminas, dou comida, patê, tudo, mas ele é magro por natureza. Quando eu o adotei, me disseram que ele comia todo tipo de ração, mas agora ele não quer mais, ficou mimado depois que veio para minha casa”, brincou.

Depois disso, a cabeleireira conta que “ficou esperta” com ele. “Não posso ficar desatenta. Ele era de rua, então se descuidar ele corre”, diz.

O cão Valente agora, com roupas e antes, todo machucado, quando foi encontrado (Foto: Arquivo Pessoal / Thamiris Penha)O cão Valente agora, com roupas e antes, todo machucado, quando foi encontrado (Foto: Arquivo Pessoal / Thamiris Penha / Sheila Patresi)

E apesar das aventuras e histórias para contar referentes ao cachorro, Thamiris destaca que não se arrepende da adoção e que os bons momentos e os carinhos em forma de lambidas recebidas do Valente são a melhor retribuição. “Meu coração até dói de pensar o que fizeram com ele, enterraram ele vivo. Mas ele é muito agradecido e nós gostamos muito dele. É uma alegria tê-lo conosco”, completou.

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