O calor e os animais


Passear com seu cão é bom para ele quando falamos de gasto de energia e mesmo de saúde. Porém, deixa de ser saudável quando ele é exposto à radiação solar e ao calor. Portanto, quando pensar em passear com o seu pet, pense antes nos cuidados que indicamos aqui.
De acordo com o veterinário Marcelo Quinzani, diretor clínico do Hospital Veterinário Pet Care, a exposição excessiva ao sol pode afetar a saúde dos pets, o que pode causar os mesmos problemas de pele que nos humanos, além do aumento do número de pulgas, hipertermia (mal causado pela temperatura elevada), e ainda predisposição a lesões cutâneas que podem evoluir para problemas mais sérios, como o câncer. "O câncer de pele corresponde a 30% de todos os tumores que afetam os cães, sendo que desses 30%, 6,2% são de origem solar, causados pela exposição excessiva aos raios solares", explica.

As lesões de pele causadas pela exposição solar dos cães geralmente ocorrem nas áreas despigmentadas (rosadas) e sem pelo, como barriga, ponta das orelhas, nariz e ao redor dos olhos. Animais com pele despigmentada (rosada), os brancos, claros e albinos merecem atenção redobrada, tanto no caso de cães quanto de gatos. Para evitar esses problemas, o veterinário diz que é imprescindível a utilização de bloqueadores solares específicos para pets, principalmente nas regiões de risco, que são focinho, lábio, coxins (almofadinha dos dedos) e barriga rosada.

O horário dos passeios deve ser o mesmo que a exposição indicada aos humanos, ou seja, antes das 9 e depois das 17 horas. E, principalmente, quando estiver menos calor e radiação solar. "Em dias muito quentes recomendamos não passear com o cão, mesmo nos horários mais frescos do dia. Durante o verão os passeios devem se restringir as primeiras horas da manhã e no final da tarde quando a radiação solar já não está mais tão quente ou mesmo presente", destaca.
O tempo de passeio depende também do condicionamento do animal e não somente da temperatura ambiente. "Normalmente recomendamos de 20 minutos a uma hora de passeio, respeitando a vontade do animal e permitindo paradas em sombra para se refrescar e beber água", diz. Animais de focinho curto como o bulldog inglês, bulldog francês, pug, boston, shih tzu, lhasa apso, entre outros, tem muita dificuldade de perder calor e por isso o cuidado tem que ser redobrado: "Muitos animais, principalmente dessa raça não devem passear, pois não aguentam". Outros animais de pelo muito denso como husky siberiano, malamute, akita, bernese, são bernardo, sofrem mais com o calor devido a pelagem densa e por ser um cão de clima mais frio – por isso devem ser tosados no verão e com passeios restritos.
Como é a maioria dos casos, os passeios na rua (calçada e asfalto) devem ter outro cuidado importante: com as patas do cão. Afinal, o sol esquenta o asfalto, que acaba queimando as patinhas dos pets. "Na dúvida, tire o seu sapato e ande por uns instantes no asfalto. Se não te queimar, não vai queimar os pés do seu cão", indica o especialista.
O veterinário ainda explica que os cães não transpiram pela pele como os humanos, por isso eles perdem calor somente pela respiração – por este motivo ficam sempre ofegante e com a língua para fora -, e muito pouco pelos coxins (almofadinhas dos pés). "Assim quando expostos a temperaturas muito elevadas, exercícios extremos ou mesmo estresse, eles podem não conseguir perder calor e podem sofrer graves consequências da elevação da temperatura corpórea", alerta.

Dentre as consequências da dificuldade de se refrescar o cão pode ter: falta de ar, respiração ruidosa e com dificuldade, vômitos, diarreias, alterações de coagulação, hemorragias, convulsões e até mesmo o coma pode ocorrer rapidamente. "Isso ocorre com todos os cães, mas os de focinho curto, como os das raças citadas antes, estão mais predispostos", acrescenta.
Agora se o cão está com muita energia ou tem o costume de passear, além de seguir os cuidados até aqui descritos, atente-se também para a hidratação do animal. "A hidratação deve ser feita oralmente, oferecendo água fresca à vontade durante as paradas dos passeios. Borrifar água no cão pode ajudar na diminuição da temperatura. E sempre muito cuidado com a queimadura dos coxins em contato com o asfalto quente", finaliza o veterinário.

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