Animais são oferecidos para doação no Jardim de Alah

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Os encontros são realizados sempre no segundo domingo de cada mês no espaço conhecido como "módulo" do Jardim de Alah Foto: Alexandre Durão / O Globo

RIO – Foi organizado neste domingo em Ipanema mais um evento do Grupo de Amigos do Jardim de Alah em que animais são oferecidos para doação. Augusto Boisson, criador do grupo, juntamente com Gladys Nunes e Déa Moura, promove esses encontros a cada segundo domingo de cada mês no espaço conhecido como "módulo" do Jardim de Alah, seção da praça compreendida entre as ruas Visconde de Pirajá e Prudente de Morais, que é cercada e gradeada, permitindo que os animais fiquem soltos sem perigo de que fujam.

— Houve uma explosão das causas em prol dos animais, em parte desencadeada pelas recentes divulgações de maus tratos — explica Boisson. — Diante disso, estamos solicitando a criação de uma Delegacia Especial de Proteção aos Animais, semelhante às que já existem no estado de São Paulo. É um conceito baseado nas delegacias americanas, em que uma viatura resgata e o animal vai para um abrigo.

O evento em Ipanema reuniu grupos semelhantes de vários bairros do Rio, onde também são periodicamente promovidos encontros do tipo. No evento mensal no Jardim de Alah, a grande maioria dos animais oferecidos para adoção é proveniente da tragédia na Região Serrana do Rio, em 12 de janeiro de 2011.

— Nosso grupo também já recebeu gatos do Campos de Santana — recorda o líder comunitário. — Mas ainda hoje, alguns donos de animais chegam à praça e simplesmente os largam para que sejam adotados. Com a minha beagle, a Lilica, por exemplo, foi isso que aconteceu. Ela foi adotada por mim aqui mesmo no Jardim de Alah. Eu a encontrei amarrada numa árvore na praça. O antigo dono a amarrou e fugiu. E eu a adotei.

Mas Boisson explica que não é assim que a coisa deve funcionar.

— Os animais oferecidos aqui para adoção são tratados, vermifugados e castrados, ou seja, estão prontos para ser entregues a uma família — explica. — Quanto aos aspirantes a adotantes, eles devem ter mais de 18 anos e apresentar comprovante de residência. Em seguida devem responder a um questionário, por meio do qual é traçado seu perfil, que passa por uma análise e, com base nisso, a adoção é aprovada. Ficam documentadas num registro as informações de quem adotou e de qual animal foi adotado.

Quem quiser oferecer um animal para adoção, basta se dirigir a qualquer dos eventos periódicos promovidos em diferentes locais da cidade, mas com a devida antecedência, de modo que o animal seja examinado e sua história seja conhecida. Para divulgar ainda mais a causa, foi criada no Facebook há pouco menos de um ano a comunidade "Grupo de Amigos do Jardim de Alah".

— Com a criação dessa comunidade aumentou bastante a adesão à causa. Tanto que, em pouco tempo, a comunidade já conta com 259 participantes — orgulha-se Boisson. — Uma das vantagens das redes sociais é que estamos agora tomando conhecimento de maus tratos e atrocidades que antes permaneciam totalmente ignoradas pela comunidade. Nossa próxima conquista será a criação da delegacia e já encaminhamos pedido ao governador, à Marta Rocha e ao Beltrami também. Em seguida, nossa meta é transformar nosso grupo em uma entidade formal registrada e legalizada.

O grupo estima que até 50 animais poderão ser adotados a partir do evento de ontem. Os organizadores estão em busca de apoio também junto à iniciativa privada.

— Quero cercar o Eike Batista para que ele ajude nossa iniciativa. Vou arranjar um megafone e vou onde ele estiver. O que quero conseguir é uma viatura para nossa futura delegacia. E também vou atrás de outras celebridades — diz Boisson.

Valéria Rodrigues Peixoto, 48 anos, moradora em Botafogo, foi uma das pessoas que foi ao encontro de ontem.

— Uma vizinha minha sabia que eu estava querendo adotar um cachorro e ouviu na rádio a notícia de que ia acontecer esse evento aqui. Então ela me avisou e aqui estou. Já trouxe comigo o que eles pedem: identidade e comprovante de residência. Moro em apartamento e quero um cãozinho menor ou que não cresça muito. Gosto tanto de cachorro que qualquer um que me pareça simpático eu levo para mim.

Bebete Filpi, 57 anos, viúva e advogada aposentada, é a fundadora da ONG Estimação. Ela explica que, dos animais resgatados na tragédia de 2011 na Região Serrana, ainda há 60 deles para adoção.

Para aumentar a conscientização da população a respeito da causa animal, foi produzido o filme "O Abrigo", pela Flávia Trindade, retratando o resgate de animais desabrigados por conta da tragédia na Região Serrana do Rio. O filme foi premiado na segunda edição da "Mostra Internacional de Cinema pelos Animais – Mostra Animal", em Curitiba, nos dias 5 e 6 de novembro de 2011. O filme será lançado no Leblon em breve.

Jornal Extra 08/01/2012

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