Gata eutanasiada em abrigo por ‘falta de recursos’ causa indignação entre protetores de animais

Scruffy era a grande companheira de seu tutor e o ajudou a se afastar das drogas (Foto: Reprodução/Life With Cats)

Defensores dos animais ameaçaram parar de fazer doações para uma organização de resgate de animais do Arizona (EUA) e o público inundou a agência da mesma com comentários mordazes e ligações, depois que uma gata levada por seu tutor foi eutanasiada pois ele não podia pagar por seu tratamento médico. Tal fato levou a Arizona Humane Society a entrar em situação de emergência. As informações são do jornal Huffington Post.

O grupo contratou um publicitária, removeu dezenas de comentários em sua página no Facebook e direcionou uma equipe de cinco voluntários para responder ao número surpreendente de chamadas e e-mails que recebeu desde que o The Arizona Republic publicou a história no fim de semana sobre Daniel Dockery e sua gata de 9 meses, Scruffy.

Dockery, um homem de 49 anos que se recupera do vício em heroína, disse ao jornal Phoenix que levou a gata a uma clínica da Humane Society no dia 08 de dezembro pois ela tinha um corte provocado por arame farpado, mas que a lesão não chegava a colocá-la em risco de vida. A agência disse que o tratamento lhe custaria 400 dólares, e ele não tinha esse recurso.

A Humane Society citou a política da organização quando rejeitou a possibilidade apresentada pelo tutor de pagar com cartão de crédito de sua mãe, que estava em Michigan e faria a confirmação de pagamento pelo telefone, ou de esperar que ela providenciasse o dinheiro. A equipe que o atendeu disse que ele deveria assinar documentos entregando a gata, que seria tratada e colocada em um abrigo, disse o tutor.

Ao invés disso, Scruffy foi eutanasiada algumas horas depois.

O tutor, Daniel Dockery (Foto: Reprodução/Huffington Post)

Dockery disse ao jornal que estava arrasado. “Agora eu penso o quanto fui responsável pela morte daquele lindo animal”, Dockery disse. “Eu falhei com ela…Aquilo foi tão errado. Não havia razão para que ela não fosse tratada”.

Ele contou que a gata o havia ajudado a afastar-se das drogas por mais de um ano, o tempo mais longo que ele havia conseguido. Ele havia alimentado a gata antes que ela abrisse os olhos, desde os 4 dias de idade, e cuidava dela deixando que ela dormisse em seu travesseiro.

Stacy Pearson, que foi contratada pela agência para lidar especificamente com a comunicação com a mídia nas questões sobre a gata, disse que o caso de Dockery levou a duas mudanças. A Arizona Humane Society criou uma conta, aberta através de doações, que deverá cobrir os custos de tratamentos de emergência de animais cujos tutores precisem de um dia ou dois para levantar recursos para pagamento. E o grupo estará passando a aceitar pagamentos em cartão de crédito por telefone, disse Pearson.

Dezenas de comentários inundaram a página do grupo no Facebook, com protetores de animais indignados com o fato da gata ter sido morta. Pearson disse que comentários mais agressivos foram removidos pelo seu conteúdo: “um dizia que os funcionários da agência deveriam ser eutanasiados, enquanto outro disse que o que aconteceu a Scruffy foi um assassinato”.

Pearson disse que Scruffy foi eutanasiada por uma série de razões, incluindo a falta de recursos imediata de Dockery, a falta de veterinários para tratá-la e o que Pearson descreveu como “uma lesão muito grave em Scruffy, que ia do seu abdômen ao seu joelho, e atingia a parte muscular”.

Ela disse que a Arizona Humane Society não aceitava pagamento com cartão de crédito por telefone devido ao risco de fraude, e que não podia tratar animais apenas com a promessa de pagamento no dia seguinte, pelos tutores. Ela disse que a equipe teve toda a intenção de ajudar a Scruffy, mas o número de animais que precisam de ajuda na clínica é muito maior do que os recursos disponíveis permitem.

“Se Dockery tivesse tido condições de pagar pelo atendimento, Scruffy poderia ter sido tratada na unidade onde ele a trouxe”, disse Pearson. “Não houve intenção em afastar Scruffy dos braços de seu tutor (pai). Se as pessoas retirarem as contribuições que vinham fazendo, só tornarão o problema ainda pior.”

Na página do Facebook, onde agora apenas o diretor executivo da agência pode postar comentários, Guy Collison escreveu que “A história de Scruffy é comovente e ressalta o pior cenário que ocorre quando faltam recursos”. Ele alega que sua agência sempre vinha fazendo o melhor possível pelos animais.

Em menos de uma hora após a publicação do comentário, mais de 100 pessoas responderam com discussões, onde algumas pessoas condenavam a agência e outras a defendiam dizendo que a mesma faz o melhor que pode com os recursos disponíveis.

Pearson disse que a agência sugeriu a Dockery na terça-feira que, quando ele estivesse pronto para adotar outro animal – como se um filho pudesse se substituído por outro -, ele poderia ir até lá e adotar um, mas ele recusou, dizendo “Não, obrigado”.

Nota da Redação: Nada justifica a prática da eutanásia em um animal – a não ser em casos realmente extremos, quando o animal estiver irremediavelmente debilitado. Mas não era o caso. Scruffy poderia estar viva e sendo tratada. A falta de recursos não pode ser usada como justificativa para um ato de crueldade, que é matar um animal inocente. Se uma organização não dá conta de cuidar ou acolher animais, então não está cumprindo com seu propósito de existência e como tal, deveria fechar as portas. Isso vale para todas as organizações e abrigos, no mundo inteiro: enquanto não houver estrutura e recursos suficientes para realizar um trabalho ético e respeitoso com os animais, seguindo sempre a política da não matança; enquanto organizações matarem animais que buscam uma chance de viver e ser feliz, é preferível que nem existam.

Fonte ANDA:

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