Divulgue, espalhe essa idéia!

A Ilusão do Abrigo

A Ilusão do Abrigo

Ana Lúcia Leão

Inúmeras vezes ouvimos de pessoas que acabaram de recolher um animal da rua dizer: "Ah! Se eu tivesse dinheiro para montar um abrigo!". Fica bem claro, com este sonho, que elas nunca visitaram um, para saber a realidade.

Um abrigo começa sempre com as melhores intenções. Se quem o abre tem uma certa dose de "pé no chão", imagina um número limite de animais a serem abrigados. Mas o objetivo nunca é atingido. Seja porque se condói dos animais abandonados que encontra; ou dos casos tristes que donos contam para deixar a responsabilidade na mão do outros; ou ainda, daqueles que abandonam na porta, ou jogam animais lá dentro.

Em pouco tempo o limite anteriormente fixado é expandido. E quem pensava ter 50 animais se vê com 100, 200 para alimentar, vacinar, manter limpos, higienizar as instalações, etc. Já ouvi histórias de fortunas perdidas em sonhos de abrigo. Recentemente a de uma senhora que estava sendo obrigada a sacrificar os animais mais idosos e doentes por não poder mantê-los, mesmo em precaríssimas condições. Depois de seu patrimônio ter se acabado, passado pela fase de pedir ajuda aos amigos, depois parentes, depois aos desconhecidos, por fim a veterinários e à Proteção Animal para sacrificar os animais aos quais ela sonhou dar uma vida melhor ou salvar da morte nas ruas.

Abrigo não é solução, é problema gerado pelo descaso social. Do lado oposto de quem sonha montar um, existe a crença das pessoas em geral de que basta pegar um animal na rua e metê-lo num abrigo para resolver o problema. Quantas vezes ouvimos "leva pra Sociedade Protetora dos Animais…" Se visitassem algum abrigo dos muitos existentes por aí, veriam a triste realidade: Dezenas, até centenas de animais se digladiando por comida, muitos doentes, e até casos de canibalismo gerados pela fome. Mas ninguém pensa em como a "Sociedade Protetora" vai conseguir recursos.

O que a sociedade não vê, está muito claro para nós que lidamos com o problema 24 horas por dia: em vez de abrigo, dar lar transitório, uma casa de apoio. O animal é tratado, vacinado, esterilizado e doado. E isso, por vezes, demora meses.

Como doar tantos animais e os resultantes dos naturais cruzamentos, que nascem aos montes todos os dias? Como achar donos suficientes (e responsáveis ) que os adote?

Informando e educando as pessoas sobre posse responsável e fazê-las compreender que esterilizar cães e gatos (fêmeas e machos) é a única solução possível para o abandono de animais em massa com que convivemos.

Mas o que é desesperante é ver ainda veterinários aconselharem donos a deixar seus animais ter a primeira cria para só depois esterilizá-los; donos darem a desculpa de que "esterilizar faz o animal engordar" (é só continuar dando a mesma quantidade de alimento que isso não acontece ); desculpa da "falta de dinheiro " (quando a Prefeitura e os grupos da Proteção oferecem cirurgias a baixo custo ou mesmo gratuitas ); e da anti-social indústria dos criadores.

E estas mesmas pessoas ainda têm coragem de dizer que gostam de animais, deixando nascer aqueles que serão doados para qualquer um. Ou se alimentar de lixo. Ou morrer atropelados. Talvez sarnentos, famintos, num abrigo irremediavelmente sem recursos, sem ao menos o carinho de um dono.

*Ana Lúcia Leão é jornalista, membro do Fórum Nacional de Proteção e Defesa Animal e da Cia. do Bicho: www.ciadobicho.com.br

O espírito natalino não vale para os cachorros?

WALCYR CARRASCO

Walcyr Carrasco (Foto: reprodução)WALCYR CARRASCO

é jornalista, autor de livros, peças teatrais e novelas de televisão

O rottweiler Lobo foi arrastado pelo carro do mecânico Cláudio César Messias, em Piracicaba, interior de São Paulo. Morreu após sua perna ser amputada. A cadela Titã, de 4 meses, foi enterrada viva por seu dono, o aposentado Orlando Santos, em Araçatuba, no mesmo Estado. Salva após 12 horas, perdeu a pelagem e corre o risco de ficar cega. Também em Araçatuba, a vira-lata Júlia foi amarrada e arrastada por uma moto dirigida pelo porteiro de um condomínio. Em Poços de Caldas, Minas Gerais, a polícia encontrou 43 cães presos e abandonados numa casa. Famintos. Resgataram-se dois pit-bulls de outra casa abandonada, em condições deploráveis, no Recife. Em Guarulhos, ainda em São Paulo, o cão George também foi amarrado a um carro e arrastado. Está internado. Todos esses fatos aconteceram em 2011. Outros relatos de crueldade com cães multiplicam-se pelo país. No final de novembro, centenas de pessoas se reuniram na Avenida Paulista, em São Paulo, para protestar contra os maus-tratos a animais. Um abaixo-assinado pelo endurecimento de punições corre na internet, denominado, apropriadamente, Lei Lobo.

A crueldade com cães envergonha o país. Não dá para entender o que leva alguém a torturar um bicho

Sou apaixonado por cães e gatos. Lógico que é bom o abaixo-assinado. Tenho dúvidas sobre a eficácia de uma mudança legal. Minha impressão, como a de muita gente, é que o Brasil tem leis ótimas que não são aplicadas. O Código Penal prevê pena de seis meses a um ano de reclusão para quem comete crimes ambientais, categoria na qual se inserem as torturas caninas. Multas também são previstas. No caso do falecido Lobo, o Ministério Público multou o culpado em cerca de R$ 1.500 e condenou-o a prestar 120 horas de serviço comunitário no canil municipal. No da cadela Titã, seu dono defendeu-se dizendo que não a enterrara viva. Segundo afirma, Titã costumava fazer buracos no quintal e, ao vê-la caída em um deles, julgou que estava morta. Legalmente, também existem muitas atenuantes que facilitam a defesa de quem maltrata bichos. Se até quem machuca gente consegue sair ileso, que se dirá dos que torturam animais? O sujeito pode até ter alguma dor de cabeça e ficar de mal com os vizinhos. Mas só. Acredito que a solução está na educação e na consciência. E na valorização da sensibilidade.

Até órgãos oficiais são indiferentes à dor dos animais. Na Bahia já houve um Inquérito Civil, instaurado pelo Ministério Público, para apurar denúncias de associações protetoras de animais contra maus-tratos e contra o sacrifício sistemático e indiscriminado de cães, realizado pelo Centro de Controle de Zoonoses da Secretaria de Saúde Municipal. Entre outras coisas, acusa o centro de abater cães e gatos com injeções letais, câmara de gás, câmara de compressão a vácuo, espancamentos, choques elétricos. A realidade de outros centros de controle de zoonoses não parece ser diferente.

Não me choca só a tortura explícita. Há aquela sem pancadaria, mas também sem nenhum sentimento. Muitas pessoas compram um filhotinho. Tratam como um filho. Levam ao veterinário, botam roupinhas, até brincam de fazer “au-au”. De repente, surge uma viagem. Ou uma mudança. Ou não aparece coisa alguma. O dono simplesmente se cansa do bichinho. Solta na rua, bem longe de casa. Joga fora, como se fosse lixo. Sentimento não há, da parte do humano. Só do animal, que late desesperado, porque, todos sabemos, o cão ama devotadamente seu dono. O problema não ocorre só nas grandes cidades. Em Pelotas, Rio Grande do Sul, a Associação SOS Animais luta contra a facilidade com que cidadãos abandonam seus pets na sarjeta.

Existem pessoas dispostas a se doar, como minha amiga Vera, casada com o ator Fúlvio Stefanini, que já entrou numa favela, durante a noite, para resgatar uma cadela que sofria maus-tratos. Ou a atriz Nicole Puzzi, que tem um lar para 500 cães abandonados. Recentemente, salvou do sacrifício 100 filhotes de chihuahuas, deixados por um canil falido. Seus amigos do Twitter e Facebook já sabem. Quem quiser um chihuahua é só pedir, com a promessa de tratar bem. Sem custos. Nicole é contra a venda.

Nesta época do ano, em que tanto se fala de amor e fraternidade, é tão estranho saber que alguém machucou um cãozinho, ou o jogou nas ruas, no intervalo das compras dos presentes de Natal. O tal espírito natalino não vale para cachorros? Simplesmente não entendo o que leva alguém a torturar um bicho.

E penso na frase de Guimarães Rosa: “Se todo animal inspira ternura, o que houve então com os homens?”.

http://revistaepoca.globo.com/vida/walcyr-carrasco/noticia/2011/12/o-espirito-natalino-nao-vale-para-os-cachorros.html

Petsitters: seu animal seguro nas féri

Profissionais treinados que cuidam dos pets e dão atenção a eles, sem tirá-los de casa

Fotos Ilana Bar

Cat Care

Fernanda Franco, que sempre teve gatos, sofria por não ter com quem deixar os bichanos na hora de viajar. Por isso, criou a Cat Care. No primeiro contato, o cliente informa a região da cidade em que mora e a quantidade de gatos que tem. Depois, é marcada uma vistoria para conhecer o local e conversar sobre a rotina do pet. A visita diária de uma hora custa R$ 35, mais o valor do deslocamento. Nesse período, Fernanda troca a comida e a areia higiênica e brinca com os gatos. Atende nos bairros da região central, zonas oeste e sul. Tel. (11) 8206-6816. Horário: segunda a sábado, das 10h às 18h. Não aceita cartão de crédito.

Petsitter Santos

Veterinária que atua na área de pesquisa, Alessandra Nava ama ter animais por perto. Ela aproveitou que a irmã e a prima estavam, respectivamente, na Escócia e no Canadá para explorar o potencial do mercado de petsitters nesses países e, há cinco anos, criou o próprio negócio. Por aqui, atende nas regiões de Santos e São Vicente. Ao contratar o serviço, o cliente garante que a comida do pet seja trocada e ele receba atenção necessária – algo que imite a rotina e o tipo de tratamento a que está habituado. Se preferir, é possível deixá-lo na casa de Alessandra durante o período. “É uma opção para que ele continue em um ambiente familiar”, explica a veterinária. O pacote de dez dias sai por R$ 100. Consulte demais planos. Tels. (13) 3345-7411/ 9110-6049.Horário: segunda a sábado, das 8h às 22h. Não aceita cartão de crédito.

Fotos Ilana Bar

Os bulldogs Guilhermina e Bartholomeu são clientes da Cãominhando
há dois anos

Cãominhando

Há 15 anos, a veterinária Vanessa Requejo notou a dificuldade que algumas pessoas enfrentam na hora de viajar no feriado ou nas férias. Algumas não podem levar junto os animais de estimação e outras não têm quem cuide deles. Foi assim que ela criou a Cãominhando. Entre os serviços de hotel, creche e passeio, também disponibiliza o petsitter, em que são feitas visitas de uma hora, por R$ 70 cada uma, para alimentar, passear, brincar e limpar os bichos. Se for necessário, também pode ser ministrada medicação. E não pense que só cachorros e gatos têm vez. “Já cuidei até de peixes e coelhos”, conta Vanessa. Ligue para consultar horários e pré-requisitos dos serviços. R. Hugo Carotini, 155, tel. (11) 2506-6487, Butantã, São Paulo, SP. Horário: segunda a sexta, das 7h às 20h; sábado, das 9h às 16h. Não aceita cartão de crédito.

Pet Life Club

Quem mora em Guarulhos, nas proximidades do Bosque Maia, pode contratar os serviços da Pet Life Club. A empresa busca ajudar os donos que não têm tempo para cuidar dos animais de estimação no dia a dia, ou precise viajar e ficar fora de casa por algum tempo. As visitas são feitas duas vezes ao dia e duram de 30 e 40 minutos cada uma. Durante o período são realizadas brincadeiras, troca da alimentação, limpeza e passeio. O preço avulso é de R$ 40 por dia. Nos pacotes, fica por R$ 35. Tel. (11) 2087-2160.

Horário: segunda a sábado, das 8h às 19h. Não aceita cartão de crédito.

Fotos Ilana Bar

A yorkshire Mini Mi, de seis meses, recebe banho, tosa, acessórios
e cuidados da Petit-ticos

Petit-ticos

Todos os serviços da Petit-ticos são prestados em domicílio – banho e tosa, tratamentos estéticos e assistência na ausência dos donos. Rossana Paiva conheceu o trabalho dos petsitters na Austrália, onde esse tipo de atendimento costuma ser comum. Além de trocar comida e água, limpar, brincar e passear, ela manda fotos e vídeos do bichinho e envia mensagens diárias por telefone com notícias aos donos que estão viajando. A visita dura cerca de uma hora e custa R$ 35. O serviço de banho e tosa pode ser contratado para a grande São Paulo, e o de petsitter, nas regiões da capital. Tels. (11) 2645-5572/ 8650-8827.

Horário: segunda a sábado,
das 9 às 18h. Não aceita cartão de crédito.

Ju Pet Sitter

Juliana Miyasaka começou o negócio por acaso. Como já tinha dois cachorros, os vizinhos começaram a pedir para que, durante breves viagens ou período de férias, ela desse aos pets os cuidados básicos. Hoje, o favor virou coisa séria e também inclui o serviço de passeador. Durante os cuidados em domicílio, Ju passeia, troca água e comida, higieniza o espaço e administra medicação oral ou tópica, caso o dono solicite. A visita dura uma hora e custa R$ 35. De acordo com o pacote escolhido, o cliente ganha desconto. Consulte a tabela de preços pelo site. Atende na zona sul da cidade. Tel. (11) 7310-0017.Horário: segunda a domingo, das 6h às 22h. Não aceita cartão de crédito.

Fonte: http://revistacasaejardim.globo.com/Revista/Common/0,,EMI283917-16940,00-PETSITTERS%20SEU%20ANIMAL%20SEGURO%20NAS%20FERIAS.html

Adote não compre!

Veja este video, o Danilo Gentilli adotou um filhote de cachorro SEM RAÇA da ONG PROJETO CEL . Ele pede para as pessoas NÃO COMPAREM ANIMAIS e ADOTAREM OS ANIMAIS QUE ESTÃO ABANDONADOS. Vejam o video.

bjs
Carla

-~

Presente de Natal delicado: posse responsável em 1º lugar

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Eles são encantadores, mas precisam ser desejados e terem seus direitos respeitados pelo dono, portanto, dar um bicho de presente nem sempre é uma boa ideia. / Divulgação

A tradicional troca de presentes na noite de Natal leva algumas pessoas a ter uma ideia “brilhante”: dar um animalzinho de estimação para o filho, a namorada ou um amigo. O problema é que, ao contrário de um objeto, um cachorro, um gato ou um peixe não pode ser trocado ou esquecido no armário. Portanto, este é o tipo de atitude que merece ser repensada. Quem oferece o presente não irá, na maioria das vezes, arcar com as responsabilidades que este traz e quem ganha pode também não querer fazê-lo.

Os cuidados com um bichinho de estimação mudam de acordo com sua espécie, mas invariavelmente as despesas com alimentação e veterinário, a higiene do animal e do ambiente, e o tempo para o trato e as brincadeiras fazem parte da rotina do proprietário, o que evidencia a importância deste querer assumir tais compromissos.

Para a veterinária Rosana Portugal, antes de adquirir um bichinho é preciso pesquisar sobre suas necessidades, comportamento e avaliar se há condições de oferecer tudo o que ele precisa, o que mostra a situação delicada que se cria dando uma vida de presente. “Um cachorro, por exemplo, é um compromisso para os próximos 15 anos. A raça ideal ou a seleção por comportamento, como no caso da adoção de um vira-lata, também é indispensável para saber se o animal conseguirá se adaptar a rotina da família e vice-versa. Vale lembrar também que uma criança não pode ficar responsável por todos os cuidados com o bichinho, então, antes de dar um hamster para o seu filho, é preciso saber se a mãe ou a pessoa que vai realizar o manejo não tem medo do roedor”, orienta Rosana.

Para a consultora jurídica e coordenadora do Núcleo de Adoções do Grupo de Assistência e Proteção aos Animais e ao Meio Ambiente, o Gapa-ma, Rosemary Hissa, “um animal não deve ser encarado como um presente de Natal, mas sim como um membro da família”. A ong que atua recolhendo animais de rua e encaminhando-os para novos lares realiza uma entrevista antes de concretizar o processo. O objetivo é garantir uma adoção consciente e evitar arrependimentos. “Diante de nossos resultados positivos eu diria que o conceito de posse responsável está mais difundido e bem entendido”.

Seguindo todas as dicas e tendo o aval do próprio presenteado, ou seja, se este realmente quer e se compromete a criar um animal de estimação, a ideia pode dar certo. No caso dos pais que pretendem dar um cãozinho, gatinho, hamster, peixe ou qualquer outro bichinho para o filho, fica evidente que são eles próprios quem devem assumir esta responsabilidade. Rosemary conta que “muitos pais vão ao evento de adoção e pedem para que a criança também assine o Termo de Posse Responsável. Claro que a responsabilidade perante o Gapa-ma é do adulto, mas é importante que os filhos tenham consciência do ato que os pais estão praticando”.

Segundo a voluntária do Gapa-ma, o grande “presente” é o ensinamento que a convivência com o animal irá trazer. Dessa convivência saudável se extrairá o senso de responsabilidade, a amizade, a troca, e o respeito pelo próximo e pelo diferente. Rosana concorda e acrescenta que a convivência das crianças com os animais contribui para a educação e o aprendizado das mesmas.

FERNANDA SOARES
Redação Tribunahttp://tribunadepetropolis.imprensa.ws/2012/index.php?option=com_content&view=article&id=26798&catid=42

Não solte rojão – Proteja seu cão.

Não solte rojão – Proteja seu cão.

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Comemorações com fogos de artifi­cio são traumáticas para os animais, cuja audição é mais apurada que a humana. Muitos da fauna silvestre morrem ou sofrem alterações do seu ciclo reprodutor. Os cães latem em desespero e enforcam-se nas correntes. Eles e os gatos tem taquicardia, salivação, tremores, medo de morrer, escondem-se em locais minúsculos, fogem para nunca mais serem encontrados, provocam acidentes nas vias publicas e são vi­timas de atropelamento. Há animais que, pelo trauma, mudam de temperamento e chegam até ao ao suicídio.
Adotando alguns procedimentos simples, pode-se diminuir o sofrimento deles:

  • procure um veterinário para sedar os animais, no caso de cães muito agitados;
  • evite acorrentá-los, pois poderão enforcar-se;
  • acomode-os em um comodo dentro da casa onde possa mante-los em seguranca, fechando as portas e janelas, bem como proporcionando iluminação suave;
  • evite deixar muitos cães juntos pois, excitados pelo barulho, podem brigar ate a morte;
  • dê alimentos leves, pois disturbios estomacais provocados pelo pânico podem levar à morte;
  • identifique seus animais com placas na coleira, para o caso de fuga;
  • tente colocar tampões de algodão nos ouvidos deles;
  • estenda cobertores nas janelas e no chão, para abafar o som. Cubra-os com um edredon;
  • deixe o guarda-roupas aberto, mas prepare-se porque eles poderão urinar, por medo;
  • coloque-os próximos a rádios ou TV ligados e vá aumentando o volume, antes dos fogos;

Sabemos que vários acidentes ocorrem nas comemorações e um desses é com os animais que são sensíveis aos sons, principalmente, de fogos de artifício. Temos dados alarmantes de animais que apavorados fogem de casa ou saem pelas ruas sem rumo e infelizmente são vítimas de atropelamento e abandono.

Pedimos encarecidamente que podemos comemorar, porém, não vamos esquecer de nossas responsabilidades com relação aos nossos amigos de estimação. Eles precisam estar em lugares protegidos onde possam se sentir seguros. É preciso estar sempre ao lado deles, fazendo com que sintam que, apesar de todo o barulho, eles estarão a salvo.

Esperamos que nas comemorações, tenhamos menos crianças e animais vítimas dos fogos de artifício. Não vamos fazer desta festa uma tristeza para os animais não humanos, que sentem o mesmo medo que nós, sendo que o barulho dos fogos para eles é como o de tiros passando em nossas faces.

Fonte – AILA-Aliança Internacional do Animal

O túnel escuro das férias

Além do problema da rejeição, a população canina nas ruas aumenta também devido aos rojões.

Nuvens escuras se avizinham para quem cultiva o bem-estar animal. Férias e festas de fim de ano conspiram para uma alta significativa no número de pets abandonados e daqueles que, sem aguentar o barulho ensurdecedor de rojões, fogem de seus lares na esperança de chegar a um porto silencioso.

O aumento de abandonos ocorre por motivos dantescos. O dono, sem local para deixar o animal durante a viagem de férias ou sem disposição para resolver o problema, descarta o suposto companheiro. Deixa-o no meio do caminho, na estrada, próximo ao terminal rodoviário, ou mesmo nos arredores do destino turístico.

A condenação à pena do abandono se infiltra em países dos mais diversos perfis socioeconômicos. Na Holanda, uma associação de proteção animal recorreu a um vídeo polêmico. A primeira cena mostra um carro se dirigindo a um bosque. Uma criança no banco traseiro segura uma bola. A sonoplastia sugere um clima de descontração e relaxamento típico das épocas de veraneio.

O veículo escapa da estrada principal e estaciona num local ermo. O motorista desembarca, abre a porta para a criança e os dois caminham alguns passos. O adulto pega a bola, dá um chute de longa distância e o petiz dispara exultante, em busca do brinquedo. É quando o motorista dá meia-volta, entra no carro e sai em alta velocidade. Desolado e inerte, o menino observa, bola na mão, a fuga de quem o levava.

A imagem congelada, impactante, serve de pano de fundo para uma frase com a triste constatação da realidade holandesa: "Todos os anos 150 mil pets são abandonados". E o vídeo termina exortando que se pense duas vezes antes de assumir a responsabilidade de cuidar de um animal.

Além da crueldade do abandono, outros aspectos colaterais surgem. Segundo levantamento feito na Itália, 85% dos cães descartados por seus donos morrem em até vinte dias, sobretudo em atropelamentos. As cifras seguem para apontar que, em 2004, houve 754 acidentes provocados por cães ou gatos na pista. Número de humanos mortos: 380.

A população canina nas ruas aumenta também devido ao uso de rojões, hábito tão enraizado em festas de fim de ano. A explosão de alegria humana corresponde a uma tortura para ouvidos famosos pela exacerbada sensibilidade, especialmente quando comparada aos de seus donos. Nessa comparação, vale registrar que o cão consegue captar barulhos quatro vezes mais distantes.

Fim de ano também corresponde ao término do Campeonato Brasileiro. Mais rojões espocam e como que lancetam tímpanos caninos. Sei que esta coluna não corresponde ao espaço para tal discussão, mas pergunto se não é hora de adotar no Brasil o calendário futebolístico europeu. A argumentação aqui se reveste de interesse canino. Pelo menos as finais aconteceriam em outra época do ano, e os castigos em decibéis impostos aos amigos de quatro patas deixariam de se concentrar tanto em dezembro.
JAIME SPITZCOVSKI
Fonte – Folha de São Paulo 12 de dezembro de 2011
Instituto Rã-bugio para Conservação da Biodiversidade
Jaraguá do Sul – SC
http://www.ra-bugio.org.br/