O espírito natalino não vale para os cachorros?

WALCYR CARRASCO

Walcyr Carrasco (Foto: reprodução)WALCYR CARRASCO

é jornalista, autor de livros, peças teatrais e novelas de televisão

O rottweiler Lobo foi arrastado pelo carro do mecânico Cláudio César Messias, em Piracicaba, interior de São Paulo. Morreu após sua perna ser amputada. A cadela Titã, de 4 meses, foi enterrada viva por seu dono, o aposentado Orlando Santos, em Araçatuba, no mesmo Estado. Salva após 12 horas, perdeu a pelagem e corre o risco de ficar cega. Também em Araçatuba, a vira-lata Júlia foi amarrada e arrastada por uma moto dirigida pelo porteiro de um condomínio. Em Poços de Caldas, Minas Gerais, a polícia encontrou 43 cães presos e abandonados numa casa. Famintos. Resgataram-se dois pit-bulls de outra casa abandonada, em condições deploráveis, no Recife. Em Guarulhos, ainda em São Paulo, o cão George também foi amarrado a um carro e arrastado. Está internado. Todos esses fatos aconteceram em 2011. Outros relatos de crueldade com cães multiplicam-se pelo país. No final de novembro, centenas de pessoas se reuniram na Avenida Paulista, em São Paulo, para protestar contra os maus-tratos a animais. Um abaixo-assinado pelo endurecimento de punições corre na internet, denominado, apropriadamente, Lei Lobo.

A crueldade com cães envergonha o país. Não dá para entender o que leva alguém a torturar um bicho

Sou apaixonado por cães e gatos. Lógico que é bom o abaixo-assinado. Tenho dúvidas sobre a eficácia de uma mudança legal. Minha impressão, como a de muita gente, é que o Brasil tem leis ótimas que não são aplicadas. O Código Penal prevê pena de seis meses a um ano de reclusão para quem comete crimes ambientais, categoria na qual se inserem as torturas caninas. Multas também são previstas. No caso do falecido Lobo, o Ministério Público multou o culpado em cerca de R$ 1.500 e condenou-o a prestar 120 horas de serviço comunitário no canil municipal. No da cadela Titã, seu dono defendeu-se dizendo que não a enterrara viva. Segundo afirma, Titã costumava fazer buracos no quintal e, ao vê-la caída em um deles, julgou que estava morta. Legalmente, também existem muitas atenuantes que facilitam a defesa de quem maltrata bichos. Se até quem machuca gente consegue sair ileso, que se dirá dos que torturam animais? O sujeito pode até ter alguma dor de cabeça e ficar de mal com os vizinhos. Mas só. Acredito que a solução está na educação e na consciência. E na valorização da sensibilidade.

Até órgãos oficiais são indiferentes à dor dos animais. Na Bahia já houve um Inquérito Civil, instaurado pelo Ministério Público, para apurar denúncias de associações protetoras de animais contra maus-tratos e contra o sacrifício sistemático e indiscriminado de cães, realizado pelo Centro de Controle de Zoonoses da Secretaria de Saúde Municipal. Entre outras coisas, acusa o centro de abater cães e gatos com injeções letais, câmara de gás, câmara de compressão a vácuo, espancamentos, choques elétricos. A realidade de outros centros de controle de zoonoses não parece ser diferente.

Não me choca só a tortura explícita. Há aquela sem pancadaria, mas também sem nenhum sentimento. Muitas pessoas compram um filhotinho. Tratam como um filho. Levam ao veterinário, botam roupinhas, até brincam de fazer “au-au”. De repente, surge uma viagem. Ou uma mudança. Ou não aparece coisa alguma. O dono simplesmente se cansa do bichinho. Solta na rua, bem longe de casa. Joga fora, como se fosse lixo. Sentimento não há, da parte do humano. Só do animal, que late desesperado, porque, todos sabemos, o cão ama devotadamente seu dono. O problema não ocorre só nas grandes cidades. Em Pelotas, Rio Grande do Sul, a Associação SOS Animais luta contra a facilidade com que cidadãos abandonam seus pets na sarjeta.

Existem pessoas dispostas a se doar, como minha amiga Vera, casada com o ator Fúlvio Stefanini, que já entrou numa favela, durante a noite, para resgatar uma cadela que sofria maus-tratos. Ou a atriz Nicole Puzzi, que tem um lar para 500 cães abandonados. Recentemente, salvou do sacrifício 100 filhotes de chihuahuas, deixados por um canil falido. Seus amigos do Twitter e Facebook já sabem. Quem quiser um chihuahua é só pedir, com a promessa de tratar bem. Sem custos. Nicole é contra a venda.

Nesta época do ano, em que tanto se fala de amor e fraternidade, é tão estranho saber que alguém machucou um cãozinho, ou o jogou nas ruas, no intervalo das compras dos presentes de Natal. O tal espírito natalino não vale para cachorros? Simplesmente não entendo o que leva alguém a torturar um bicho.

E penso na frase de Guimarães Rosa: “Se todo animal inspira ternura, o que houve então com os homens?”.

http://revistaepoca.globo.com/vida/walcyr-carrasco/noticia/2011/12/o-espirito-natalino-nao-vale-para-os-cachorros.html

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Petsitters: seu animal seguro nas féri

Profissionais treinados que cuidam dos pets e dão atenção a eles, sem tirá-los de casa

Fotos Ilana Bar

Cat Care

Fernanda Franco, que sempre teve gatos, sofria por não ter com quem deixar os bichanos na hora de viajar. Por isso, criou a Cat Care. No primeiro contato, o cliente informa a região da cidade em que mora e a quantidade de gatos que tem. Depois, é marcada uma vistoria para conhecer o local e conversar sobre a rotina do pet. A visita diária de uma hora custa R$ 35, mais o valor do deslocamento. Nesse período, Fernanda troca a comida e a areia higiênica e brinca com os gatos. Atende nos bairros da região central, zonas oeste e sul. Tel. (11) 8206-6816. Horário: segunda a sábado, das 10h às 18h. Não aceita cartão de crédito.

Petsitter Santos

Veterinária que atua na área de pesquisa, Alessandra Nava ama ter animais por perto. Ela aproveitou que a irmã e a prima estavam, respectivamente, na Escócia e no Canadá para explorar o potencial do mercado de petsitters nesses países e, há cinco anos, criou o próprio negócio. Por aqui, atende nas regiões de Santos e São Vicente. Ao contratar o serviço, o cliente garante que a comida do pet seja trocada e ele receba atenção necessária – algo que imite a rotina e o tipo de tratamento a que está habituado. Se preferir, é possível deixá-lo na casa de Alessandra durante o período. “É uma opção para que ele continue em um ambiente familiar”, explica a veterinária. O pacote de dez dias sai por R$ 100. Consulte demais planos. Tels. (13) 3345-7411/ 9110-6049.Horário: segunda a sábado, das 8h às 22h. Não aceita cartão de crédito.

Fotos Ilana Bar

Os bulldogs Guilhermina e Bartholomeu são clientes da Cãominhando
há dois anos

Cãominhando

Há 15 anos, a veterinária Vanessa Requejo notou a dificuldade que algumas pessoas enfrentam na hora de viajar no feriado ou nas férias. Algumas não podem levar junto os animais de estimação e outras não têm quem cuide deles. Foi assim que ela criou a Cãominhando. Entre os serviços de hotel, creche e passeio, também disponibiliza o petsitter, em que são feitas visitas de uma hora, por R$ 70 cada uma, para alimentar, passear, brincar e limpar os bichos. Se for necessário, também pode ser ministrada medicação. E não pense que só cachorros e gatos têm vez. “Já cuidei até de peixes e coelhos”, conta Vanessa. Ligue para consultar horários e pré-requisitos dos serviços. R. Hugo Carotini, 155, tel. (11) 2506-6487, Butantã, São Paulo, SP. Horário: segunda a sexta, das 7h às 20h; sábado, das 9h às 16h. Não aceita cartão de crédito.

Pet Life Club

Quem mora em Guarulhos, nas proximidades do Bosque Maia, pode contratar os serviços da Pet Life Club. A empresa busca ajudar os donos que não têm tempo para cuidar dos animais de estimação no dia a dia, ou precise viajar e ficar fora de casa por algum tempo. As visitas são feitas duas vezes ao dia e duram de 30 e 40 minutos cada uma. Durante o período são realizadas brincadeiras, troca da alimentação, limpeza e passeio. O preço avulso é de R$ 40 por dia. Nos pacotes, fica por R$ 35. Tel. (11) 2087-2160.

Horário: segunda a sábado, das 8h às 19h. Não aceita cartão de crédito.

Fotos Ilana Bar

A yorkshire Mini Mi, de seis meses, recebe banho, tosa, acessórios
e cuidados da Petit-ticos

Petit-ticos

Todos os serviços da Petit-ticos são prestados em domicílio – banho e tosa, tratamentos estéticos e assistência na ausência dos donos. Rossana Paiva conheceu o trabalho dos petsitters na Austrália, onde esse tipo de atendimento costuma ser comum. Além de trocar comida e água, limpar, brincar e passear, ela manda fotos e vídeos do bichinho e envia mensagens diárias por telefone com notícias aos donos que estão viajando. A visita dura cerca de uma hora e custa R$ 35. O serviço de banho e tosa pode ser contratado para a grande São Paulo, e o de petsitter, nas regiões da capital. Tels. (11) 2645-5572/ 8650-8827.

Horário: segunda a sábado,
das 9 às 18h. Não aceita cartão de crédito.

Ju Pet Sitter

Juliana Miyasaka começou o negócio por acaso. Como já tinha dois cachorros, os vizinhos começaram a pedir para que, durante breves viagens ou período de férias, ela desse aos pets os cuidados básicos. Hoje, o favor virou coisa séria e também inclui o serviço de passeador. Durante os cuidados em domicílio, Ju passeia, troca água e comida, higieniza o espaço e administra medicação oral ou tópica, caso o dono solicite. A visita dura uma hora e custa R$ 35. De acordo com o pacote escolhido, o cliente ganha desconto. Consulte a tabela de preços pelo site. Atende na zona sul da cidade. Tel. (11) 7310-0017.Horário: segunda a domingo, das 6h às 22h. Não aceita cartão de crédito.

Fonte: http://revistacasaejardim.globo.com/Revista/Common/0,,EMI283917-16940,00-PETSITTERS%20SEU%20ANIMAL%20SEGURO%20NAS%20FERIAS.html