Presente de Natal delicado: posse responsável em 1º lugar

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Eles são encantadores, mas precisam ser desejados e terem seus direitos respeitados pelo dono, portanto, dar um bicho de presente nem sempre é uma boa ideia. / Divulgação

A tradicional troca de presentes na noite de Natal leva algumas pessoas a ter uma ideia “brilhante”: dar um animalzinho de estimação para o filho, a namorada ou um amigo. O problema é que, ao contrário de um objeto, um cachorro, um gato ou um peixe não pode ser trocado ou esquecido no armário. Portanto, este é o tipo de atitude que merece ser repensada. Quem oferece o presente não irá, na maioria das vezes, arcar com as responsabilidades que este traz e quem ganha pode também não querer fazê-lo.

Os cuidados com um bichinho de estimação mudam de acordo com sua espécie, mas invariavelmente as despesas com alimentação e veterinário, a higiene do animal e do ambiente, e o tempo para o trato e as brincadeiras fazem parte da rotina do proprietário, o que evidencia a importância deste querer assumir tais compromissos.

Para a veterinária Rosana Portugal, antes de adquirir um bichinho é preciso pesquisar sobre suas necessidades, comportamento e avaliar se há condições de oferecer tudo o que ele precisa, o que mostra a situação delicada que se cria dando uma vida de presente. “Um cachorro, por exemplo, é um compromisso para os próximos 15 anos. A raça ideal ou a seleção por comportamento, como no caso da adoção de um vira-lata, também é indispensável para saber se o animal conseguirá se adaptar a rotina da família e vice-versa. Vale lembrar também que uma criança não pode ficar responsável por todos os cuidados com o bichinho, então, antes de dar um hamster para o seu filho, é preciso saber se a mãe ou a pessoa que vai realizar o manejo não tem medo do roedor”, orienta Rosana.

Para a consultora jurídica e coordenadora do Núcleo de Adoções do Grupo de Assistência e Proteção aos Animais e ao Meio Ambiente, o Gapa-ma, Rosemary Hissa, “um animal não deve ser encarado como um presente de Natal, mas sim como um membro da família”. A ong que atua recolhendo animais de rua e encaminhando-os para novos lares realiza uma entrevista antes de concretizar o processo. O objetivo é garantir uma adoção consciente e evitar arrependimentos. “Diante de nossos resultados positivos eu diria que o conceito de posse responsável está mais difundido e bem entendido”.

Seguindo todas as dicas e tendo o aval do próprio presenteado, ou seja, se este realmente quer e se compromete a criar um animal de estimação, a ideia pode dar certo. No caso dos pais que pretendem dar um cãozinho, gatinho, hamster, peixe ou qualquer outro bichinho para o filho, fica evidente que são eles próprios quem devem assumir esta responsabilidade. Rosemary conta que “muitos pais vão ao evento de adoção e pedem para que a criança também assine o Termo de Posse Responsável. Claro que a responsabilidade perante o Gapa-ma é do adulto, mas é importante que os filhos tenham consciência do ato que os pais estão praticando”.

Segundo a voluntária do Gapa-ma, o grande “presente” é o ensinamento que a convivência com o animal irá trazer. Dessa convivência saudável se extrairá o senso de responsabilidade, a amizade, a troca, e o respeito pelo próximo e pelo diferente. Rosana concorda e acrescenta que a convivência das crianças com os animais contribui para a educação e o aprendizado das mesmas.

FERNANDA SOARES
Redação Tribunahttp://tribunadepetropolis.imprensa.ws/2012/index.php?option=com_content&view=article&id=26798&catid=42

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