Vai se mudar? Hora de se preparar para levar o peludo junto! – Parte 1


Dia desses recebi a mensagem abaixo:

“Estou num dilema, e morrendo de dó – Tenho uma cachorrinha de 8 meses, vou mudar p/ apartamento que comprei aqui em Florianópolis, e não tenho como ficar com ela, e até o momento não consegui ninguém p/ adotá-la. Onde posso deixá-la p/ adoção ? Nestas feiras de adoção eles pegam, onde posso achar ? Por gentileza, me dê algumas alternativas, nomes de pessoas, sites, telefones, etc. Tenho urgência, pois antes da mudança, vou p/ São Paulo por 15 dias.”

Respondi dizendo que ajudaria a divulgar a adoção se ela castrasse e microchipasse a cadela e ofereci ajuda com contatos baratos para ela castrar, microchipar e hospedar a pequena não só na viagem iminente, mas depois da mudança, até ser adotada. Preciso dizer que nunca recebi resposta? Quer doar, mas não quer castrar, não quer microchipar, não quer deixar hospedado em hotel até ser bem adotado? Quer simplesmente repassar o “problema”?

Fico impressionada ao ver como as pessoas adquirem cães e gatos sem refletir, sem pensar que a vida muda, sem se COMPROMETER! Ok, a vida muda, não podemos julgar as pessoas, mas façamos as coisas com consciência e responsabilidade, pôxa!! Com tantos peludos sem família precisando de ajuda, achar novos lares para pessoas que querem/precisam se desfazer de seus animais não é algo que protetores ou voluntários tenham prazer em fazer (especialmente quando o ‘precisar’ é discutível). Eles terminam ajudando por pena do pobre bicho, mas as pessoas que os procuram precisam entender que doar não é dar, é escolher com critério e responsabilidade um novo lar, é colocar-se à disposição para ajudar com o que for preciso ou receber o peludo de volta por toda sua vida, é doar castrado, é entrevistar a nova família e verificar se ela tem condições físicas, emocionais e financeiras de receber o novo membro. Doar demanda tempo, dinheiro e energia desprendidos, o que deve ser realizado por quem se comprometeu com o animal.

Ou seja, se você realmente PRECISA doar seu animal, peça ajuda com orientações sobre como fazer cartazes, como doar com responsabilidade, como fazer um Termo de Responsabilidade de Adoção, mas não procure alguém para repassar seu animal como se ele fosse um objeto descartável. Se a pessoa procurar protetores e voluntários com uma postura preocupada e responsável, conseguirá toda ajuda do mundo, mas quem está nesta situação precisa entender que o animal em questão é responsabilidade sua, não de terceiros que trabalham à duras penas com ajuda a animais abandonados ou vítimas de maus-tratos!

Cachorros e gatos não são peças de decoração que deixamos na casa antiga ou damos para quem quiser ao mudarmos para a nova. São seres sencientes como nós, ou seja, sentem fome, frio, medo, saudade e sofrem demais com as decisões humanas que vão desde arrumar um novo lar legal para eles ao extremo criminoso do abandono.
Achei lá no portal Turismo 4 Patas um guia que facilita a vida de quem precisa viajar – seja de mudança ou não – com seu peludo, o “Manual do Pet Viajante”. Separei alguns itens abaixo, para ajudar quem estiver nesta situação.

Três exemplos próximos a mim que me enchem de esperança no ser humano, pena que sejam raros: um casal de amigos foi morar no Canadá, levando junto seu cão. Uma família aqui de Floripa – pai, mãe, três filhos – mudou-se “ali” para a Bélgica e sequer cogitou a possibilidade de deixar para trás o gato da família. Já um casal de grandes amigos aqui de Floripa fixou residência em New York há 2 anos e meio, levando a filha peluda sem pensar duas vezes. Agora a família está de mudança para o Hawaii e o casal está pagando dois aluguéis: ele já foi para o novo endereço porque precisava trabalhar e minha amiga ficou em New York sozinha com a pequena até que a cachorrinha tenha a entrada liberada no Hawaii – que por não ter casos de raiva, pede uma série de medidas antes que novos cães possam mudar para lá (o que leva 4 meses!). Nenhuma das famílias é rica ou com dinheiro sobrando. São apenas pessoas que consideram seus cães e gatos como parte da família, e por nossa família fazemos todos os sacrifícios, certo?

Ah, e um parênteses sobre vacinas: mesmo precisando fazer quarentena (em casa), exames e outros ‘quetais’, a cadelinha que vai morar no Hawaii não precisou ser vacinada contra raiva desnecessariamente. Foi feito o exame de titulação de anticorpos, que ao mostrar que ela apresenta anticorpos contra a raiva a livrou de tomar uma dose desnecessária de vacina! Não é o máximo? Isto se chama protocolo personalizado de vacinação e é questão de tempo até que o Brasil adeque-se à realidade: cães e gatos não precisam e nem devem receber todos os tipos de vacinas existentes à venda, todo santo ano! Cada caso é um caso e deveria ser estudado com critérios que visem a saúde real do animal (e não o lucro com a venda de vacinas) pelos veterinários, inclusive com o uso de exames para saber se as vacinas são mesmo necessárias (o que já existe no Brasil!). Leia mais sobre perigos dos excessos de vacinações em cães e gatos clicando aqui.

No próximo post: Como acostumar seu cão ao novo lar!

Este artigo pertence ao Mãe de Cachorro Também é Mãe.

Plágio é crime e está previsto no artigo 184 do Código Penal.

Anúncios
Sem categoria